31 de outubro de 2011

CASAMENTO X MUDANÇAS

“Num mau casamento, as pessoas costumam se separar de seus companheiros, quando a solução seria o cônjuge transgressor se separar de suas más atitudes e o outro ter a capacidade divina de perdoar”.
João R. Grahl

CRIADOR E CRIAÇÃO

AMEM A MÃE DELA






ELAINE S. DALTON
Presidente Geral das Moças



Conferência Geral - out/2011


Como um pai pode criar uma filha feliz e bem ajustada no mundo cada vez mais conturbado de hoje? A resposta foi dada pelos profetas do Senhor.


Não há palavras para descrever o momento sagrado em que um novo pai toma a filha nos braços pela primeira vez. Neste ano, três de nossos filhos tornaram-se pais de meninas. Enquanto eu observava Jon, nosso filho vigoroso e forte, jogador de rúgbi, segurar sua primeira filha nos braços, ele olhou para ela com reverente ternura e, em seguida, olhou para mim com uma expressão que parecia dizer: “Como faço para criar uma menina?”

Nesta manhã, gostaria de falar para nossos filhos e para todos os pais. Como um pai pode criar uma filha feliz e bem ajustada no mundo cada vez mais conturbado de hoje? A resposta foi dada pelos profetas do Senhor. É uma resposta simples e verdadeira: “A coisa mais importante que um pai pode fazer por sua [filha] é amar a mãe [dela]”.1 Pelo modo que ama a mãe dela, você vai ensinar a sua filha ternura, lealdade, respeito, compaixão e devoção. Ela vai aprender com seu exemplo o que esperar dos rapazes e quais qualidades procurar em um futuro cônjuge. Você pode mostrar a sua filha, pelo modo que você ama e honra sua esposa, que ela jamais deve se contentar com menos. Seu exemplo vai ensinar sua filha a valorizar a feminilidade. Você está mostrando que ela é uma filha de nosso Pai Celestial, que a ama.

Ame tanto a mãe dela de modo que seu casamento seja celestial. Um casamento no templo para esta vida e para toda a eternidade é algo digno de seus maiores esforços e da mais alta prioridade. Só depois de ter concluído o templo no deserto, foi que Néfi declarou: “E vivemos felizes”.2 A felicidade é encontrada no templo. No cumprimento dos convênios. Não permita que em sua vida ou em sua casa entre qualquer influência que o faça comprometer seus convênios ou sua devoção à esposa e família.

Nas Moças, estamos ajudando sua filha a entender a identidade dela como filha de Deus e a importância de manter-se virtuosa e digna de receber as bênçãos do templo e de um casamento no templo. Estamos ensinando a sua filha a importância de fazer e guardar convênios sagrados. Estamos ensinando-a a comprometer-se agora a viver de modo que possa sempre ser digna de entrar no templo e a não permitir que nada a atrase, distraia ou a desqualifique em relação a esse objetivo. Seu exemplo, como pai dela, fala mais alto do que nossas mais importantes palavras. As moças se preocupam com seus pais. Muitas expressam que seu maior desejo é que estejam eternamente unidos como família. Elas querem que vocês estejam lá quando elas forem ao templo ou se casarem no templo. Fiquem perto de sua filha e ajudem-na a preparar-se e a permanecer digna de entrar no templo. Quando ela fizer doze anos de idade, levem-na com vocês ao templo muitas vezes para realizar batismos por seus antepassados e por outros. Ela vai guardar com carinho essas lembranças, para sempre.

A cultura popular de hoje procura minar e menosprezar seu papel eterno como patriarca e pai, e minimizar suas responsabilidades mais importantes. Elas lhes foram dadas “segundo o modelo divino” e, como pais, vocês devem “presidir a família com amor e retidão, tendo a responsabilidade de atender às necessidades de seus familiares e de protegê-los”.3

Pais: vocês são os guardiões de seu lar, de sua mulher e de seus filhos. Atualmente, “não é fácil proteger a família contra intrusões do mal na mente e no espírito [deles]. (…) Essas influências podem entrar livremente no lar, e o fazem. Satanás [é muito esperto]. Ele não precisa arrombar a porta”.4

Vocês precisam ser guardiões da virtude. “Um portador do sacerdócio évirtuoso. O comportamento virtuoso implica [ter] pensamentos e atos puros e limpos. (…) A virtude é (…) um atributo da divindade.” Ela se “assemelha à santidade”.5 Os valores das Moças são atributos cristãos que incluem o valor da virtude. Conclamamos vocês a unirem-se a nós para liderar o mundo em um retorno à virtude. Para fazê-lo, vocês devem “praticar a virtude e a santidade”,6 eliminando de sua vida tudo que seja maligno ou não condizente com um portador do santo sacerdócio de Deus. “Que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente; então tua confiança se fortalecerá na presença de Deus; (…) e o Espírito Santo será teu companheiro constante.”7 Portanto, tomem cuidado com o que veem na mídia de entretenimento visual ou impressa. Sua virtude pessoal será um modelo para suas filhas, e também para seus filhos, do que é a verdadeira força e coragem moral. Sendo um guardião da virtude em sua própria vida, em seu lar e na vida de seus filhos, vocês mostrarão a sua esposa e filhas o que é o verdadeiro amor. Sua pureza pessoal lhes dará poder.

Vocês são guardiões de suas filhas mais do que no sentido legal. Estejam presentes na vida de sua filha. Façam com que ela conheça seus padrões, suas expectativas, suas esperanças e seus sonhos em relação ao sucesso e à felicidade dela. Entrevistem-na, conheçam seus amigos e, quando chegar o momento, seus namorados. Ajudem-na a compreender a importância dos estudos. Ajudem-na a compreender que o princípio do recato é uma proteção. Ajudem-na a escolher músicas e mídias que propiciem a presença do Espírito e que sejam condizentes com a identidade divina dela. Façam parte ativa da vida dela. E, se na adolescência, ela não voltar para casa na hora marcada, após um encontro, não deixem de ir buscá-la. Ela vai resistir e dizer que vocês arruinaram a vida social dela, mas, por dentro, ela saberá que vocês a amam e que se importam o suficiente com ela para serem seus guardiões.

Vocês não são homens comuns. Devido a seu valor na esfera pré-mortal, vocês se qualificaram para ser líderes e para ter o poder do sacerdócio. Nessa esfera, vocês mostraram “grande fé e (…) boas obras”, e estão aqui agora para fazer o mesmo.8 Seu sacerdócio os separa do mundo.

Em poucas semanas, nossos três filhos darão a suas respectivas filhas um nome e uma bênção. Espero que seja a primeira de muitas bênçãos do sacerdócio que receberão de seus pais, porque no mundo em que irão crescer, precisarão dessas bênçãos. Sua filha vai valorizar o sacerdócio e decidir no coração que é isso que deseja em seu futuro lar e família. Sempre se lembrem de que “os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu” e que eles só “podem ser controlados (…) de acordo com os princípios da retidão”.9

Pais: vocês são o herói de sua filha. Meu pai era meu herói. Toda noite eu costumava esperar ele voltar sentada nos degraus de nossa casa. Ele me pegava no colo e me girava no ar e depois me deixava colocar os pés sobre seus sapatos grandes e dançava comigo pela casa. Eu adorava o desafio de tentar seguir todos os seus passos. Ainda adoro.

Pais: vocês sabiam que seu testemunho tem uma influência vigorosa em suas filhas? Eu sabia que meu pai tinha um testemunho. Sabia que ele amava o Senhor. E como meu pai amava o Senhor, eu também O amava. Eu sabia que ele se importava com as viúvas porque ele usou suas férias para pintar a casa da viúva que era nossa vizinha. Eu achei que aquelas foram as melhores férias que nossa família já tivera porque ele me ensinou a pintar! Vocês vão abençoar a vida de sua filha nos anos vindouros, se procurarem maneiras de passar o tempo com ela e de compartilhar seu testemunho com ela.

No Livro de Mórmon, Abis foi convertida quando seu pai compartilhou com ela a extraordinária visão que ele teve. Por muitos anos, ela guardou seu testemunho no coração e viveu dignamente, em uma sociedade muito iníqua. Então, chegou um momento em que não pôde mais ficar quieta, e ela correu de casa em casa para compartilhar seu testemunho e os milagres que vira na corte do rei. A força da conversão e o testemunho de Abis ajudaram a mudar toda uma sociedade. As pessoas que a ouviram testificar tornaram-se “[convertidas] ao Senhor [e] nunca apostataram”, e seus filhos se tornaram os jovens guerreiros!10

Como diz a letra de um hino em inglês: “Erguei-vos, ó homens de Deus!”11 Essa é uma conclamação a vocês, homens que possuem o santo sacerdócio de Deus. Que seja dito de vocês como foi dito do capitão Morôni:

“[Ele] era um homem forte e poderoso; (…) um homem de perfeita compreensão; (…) um homem firme na fé em Cristo. (…)

Se todos os homens tivessem sido e fossem e pudessem sempre ser como Morôni, eis que os próprios poderes do inferno teriam sido abalados para sempre; (…) o diabo nunca teria poder sobre o coração dos filhos dos homens.”12

Irmãos, pais, rapazes: “Sejam leais ao que há de nobre em vocês”.13

Então, como vocês criam uma menina? Amem a mãe dela. Levem sua família ao templo, sejam guardiões da virtude e magnifiquem seu sacerdócio. Pais, a vocês foram confiadas filhas de nobre estirpe pelo Pai Celestial. Elas são virtuosas e eleitas. É minha oração que vocês zelem por elas, que as fortaleçam, que moldem um comportamento virtuoso e que as ensinem a seguir todos os passos do Salvador — porque Ele vive! Em nome de Jesus Cristo. Amém.






OUSE FICAR SOZINHO


Presidente Thomas S. Monson

Conferência Geral - outubro 2011
Sessão do Sacerdócio





Que sempre sejamos corajosos e estejamos preparados para defender nossa crença.


Meus amados irmãos, é um imenso privilégio estar com vocês nesta noite. Nós, que possuímos o sacerdócio de Deus, formamos uma grande união e irmandade.

Lemos em Doutrina e Convênios, seção 121, versículo 36, “que os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu”. Que dádiva maravilhosa nos foi concedida — a de possuir o sacerdócio, que está “inseparavelmente ligado com os poderes do céu”. Essa dádiva preciosa, porém, traz consigo não apenas bênçãos especiais, mas também solenes responsabilidades. Precisamos conduzir nossa vida de modo que sejamos dignos do sacerdócio que possuímos. Vivemos numa época em que estamos cercados por muitas coisas que querem induzir-nos a caminhos que podem levar-nos à destruição. É preciso determinação e coragem para evitar esses caminhos.

Relembro uma época — e alguns de vocês aqui também devem lembrar — em que os padrões da maioria das pessoas eram bem semelhantes aos nossos. Isso já não ocorre mais. Li recentemente um artigo no jornal New York Times a respeito de um estudo realizado no verão de 2008. Um renomado sociólogo da Universidade Notre Dame liderou uma equipe de pesquisas na realização de entrevistas com 230 jovens adultos de vários lugares dos Estados Unidos. Creio que podemos presumir com segurança que os resultados seriam semelhantes na maior parte do mundo.

Compartilho com vocês apenas um trecho desse impactante artigo:

“Os entrevistadores fizeram perguntas abertas sobre o certo e o errado, sobre dilemas morais e sobre o significado da vida. Em suas respostas desconexas (…) vemos que os jovens têm muita dificuldade para dizer qualquer coisa sensata em relação a esses assuntos. Eles simplesmente não têm a compreensão ou o vocabulário para fazê-lo.

Quando lhes foi pedido que descrevessem um dilema moral que enfrentavam, dois terços dos jovens ou não conseguiram responder à pergunta ou descreveram problemas que nada tinham a ver com a moral, como: não conseguir pagar o aluguel de um apartamento ou não ter moedas suficientes para colocar no parquímetro”.

O artigo continua:

“A atitude comum, a que a maioria recorreu repetidas vezes, é a de que as escolhas morais são apenas uma questão de gosto pessoal. ‘É uma coisa pessoal’, era sua resposta típica. ‘Depende da pessoa. Quem sou eu para dizer?’

Rejeitando a obediência cega à autoridade, muitos jovens chegaram ao extremo de [dizer]: ‘Eu faria o que achasse que me deixaria feliz ou o que sentisse que devia. Não tenho outro modo de saber o que fazer a não ser o modo como me sinto por dentro’”.

Os entrevistadores salientaram que a maioria dos jovens com quem conversaram “não tinha recebido os recursos — das escolas, das instituições ou da família — para cultivar sua intuição moral”.1

Irmãos, ninguém ao alcance de minha voz deve ter qualquer dúvida em relação ao que é moral e ao que não é; tampouco deve haver dúvidas sobre o que é esperado de nós como portadores do sacerdócio de Deus. Nós recebemos e continuamos a receber as leis de Deus. A despeito do que possamos ver ou ouvir em outros lugares, essas leis não mudaram.

Em nossa vida cotidiana, é quase inevitável que nossa fé seja questionada. Podemos, às vezes, estar cercados de pessoas e, ainda assim, ser a minoria ou até ficar sozinhos em relação ao que é aceitável e o que não é. Será que temos coragem moral para defender firmemente nossas crenças, mesmo que para isso tenhamos de ficar sozinhos? Como portadores do sacerdócio de Deus, é essencial que possamos enfrentar — com coragem — quaisquer desafios com que nos deparemos. Lembrem-se das palavras do poeta Tennyson: “Minha força é como a força de dez, porque meu coração é puro”.2

Cada vez mais, vemos certas celebridades e outras pessoas — que por um motivo ou outro, estão à vista do público — ridicularizarem a religião em geral e, às vezes, a Igreja, de modo específico. Se nosso testemunho não estiver firmemente alicerçado, essas críticas podem fazer com que duvidemos de nossas próprias crenças ou hesitemos em nossa determinação.

Na visão que Leí teve da árvore da vida, que se encontra em 1 Néfi 8, ele viu, entre outras coisas, pessoas que se agarravam à barra de ferro até chegarem e partilharem do fruto da árvore da vida, que sabemos ser uma representação do amor de Deus. E então, infelizmente, depois de partilharem do fruto, alguns ficavam envergonhados por causa das pessoas que estavam no “grande e espaçoso edifício”, que representa o orgulho dos filhos dos homens, e que apontavam o dedo para eles e zombavam deles; e assim eles seguiram por caminhos proibidos e se perderam.3 Que ferramentas poderosas do adversário são o ridículo e a zombaria! Repito, irmãos: será que temos coragem de permanecer fortes e firmes diante dessa difícil oposição?

Creio que a primeira vez que tive coragem para defender minhas convicções foi quando servi na Marinha dos Estados Unidos, no final da Segunda Guerra Mundial.

A base de treinamento de recrutas da Marinha não foi nada fácil para mim, nem para ninguém que teve de passar por isso. Nas primeiras semanas, fiquei convencido de que minha vida estava em perigo. A Marinha não estava tentando treinar-me — estava tentando matar-me.

Sempre me lembrarei de quando chegou o domingo, depois da primeira semana. Recebemos boas notícias do suboficial chefe. Em posição de sentido, no campo de treinamento, enfrentando a forte brisa da Califórnia, ouvimos sua ordem: “Hoje, todo mundo vai para a igreja — quer dizer, todos menos eu. Eu vou relaxar!” Depois, ele bradou: “Todos vocês, católicos, reúnam-se no campo Decatur — e não voltem até as três da tarde. Em frente, marchem!” Um contingente significativo se moveu. Depois, ele berrou sua ordem seguinte: “Os que são judeus, reúnam-se no campo Henry — e não voltem até as três da tarde. Em frente, marchem!” Um contingente um pouco menor saiu marchando. Depois, ele disse: “O restante de vocês, protestantes, reúnam-se nos anfiteatros do campo Farragut — e não voltem até as três da tarde. Em frente, marchem!”

Imediatamente um pensamento irrompeu em minha mente: “Monson, você não é católico, não é judeu, não é protestante. Você é mórmon, portanto fique parado onde está!” Posso assegurar-lhes que me senti completamente sozinho. Corajoso e determinado, sim — mas sozinho.

Então, ouvi as palavras mais agradáveis que aquele suboficial jamais proferiu. Ele olhou em minha direção e perguntou: “E o que vocês, rapazes, se consideram?” Até aquele momento, eu não tinha me dado conta de que houvesse alguém de pé ao meu lado ou atrás de mim no campo de treinamento. Quase em uníssono, cada um de nós respondeu: “Mórmons!” É difícil descrever a alegria que me encheu o coração ao virar-me e ver um grupo de outros marinheiros.

O suboficial coçou a cabeça com uma expressão desconcertada, mas por fim disse: “Bem, vão procurar algum lugar para se reunirem. E não voltem até as três da tarde. Em frente, marchem!”

Quando saímos marchando, pensei nas palavras de um versinho que havia aprendido na Primária, muitos anos antes:
Ouse ser mórmon,
Ouse ficar sozinho.
Ouse ter um firme propósito,
Ouse torná-lo conhecido.

Embora as coisas tivessem saído diferentes do que eu esperava, eu estaria disposto a ter ficado sozinho, se fosse necessário.

Desde aquele dia, houve ocasiões em que não havia ninguém em pé atrás de mim e, portanto, fiquei realmente sozinho. Quão grato sou por ter tomado bem antes a decisão de permanecer forte e fiel, estando sempre preparado e pronto para defender minha religião, caso surgisse a necessidade.

Para que nunca nos sintamos inadequados para as tarefas que teremos pela frente, irmãos, gostaria de compartilhar com vocês uma declaração feita em 1987, pelo então Presidente da Igreja, Ezra Taft Benson, dirigindo-se a um grande grupo de membros na Califórnia. O Presidente Benson disse:

“Em todas as eras, os profetas contemplaram, ao longo dos corredores dos tempos, os nossos dias. Bilhões de falecidos e daqueles que ainda estão por nascer têm seus olhos sobre nós. Não se enganem a esse respeito — vocês são uma geração marcada. (…)

Por quase seis mil anos, Deus os reservou para que surgissem nos últimos dias antes da Segunda Vinda do Senhor. Algumas pessoas vão cair, mas o reino de Deus permanecerá intocado para receber de volta o seu líder, sim, Jesus Cristo.

Embora esta geração seja comparável em iniquidade aos dias de Noé, quando o Senhor limpou a Terra com o dilúvio, há uma diferença importante desta vez. A diferença é que Deus reservou para a disputa final alguns de Seus filhos mais fortes, que ajudarão a fazer com que o reino triunfe”. 4

Sim, irmãos, representamos alguns de Seus filhos mais fortes. Temos a responsabilidade de ser dignos de todas as bênçãos gloriosas que o Pai Celestial reservou para nós. Onde quer que estejamos, nosso sacerdócio estará conosco. Será que permanecemos em lugares santos? Por favor, antes de colocarem vocês mesmos e seu sacerdócio em risco, aventurando-se a ir a certos lugares ou a participar de certas atividades que não são dignas de vocês ou desse sacerdócio, ponderem cuidadosamente as consequências. A todos nós foi conferido o Sacerdócio Aarônico. Nesse processo, cada um de nós recebeu o poder que possui as chaves da ministração de anjos. O Presidente Gordon B. Hinckley disse:

“Vocês não podem dar-se ao luxo de fazer qualquer coisa que venha a interpor-se entre vocês e os anjos ministradores a sua volta.

Vocês não podem ser imorais de maneira alguma. Não podem ser desonestos. Não podem trapacear, mentir, tomar o nome de Deus em vão nem usar linguajar impuro e ainda ter direito ao ministério de anjos”.5

Se tiverem tropeçado em sua jornada, quero que compreendam, sem nenhuma dúvida, que existe um caminho de volta. O processo se chama arrependimento. Nosso Salvador deu Sua vida para conceder-nos essa dádiva abençoada. Apesar de o caminho do arrependimento não ser fácil, as promessas são reais. Foi-nos dito: “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve”.6 “E nunca mais me lembrarei [deles]”.7 Que declaração! Que grande bênção! Que promessa!

Pode haver entre vocês alguns que pensam consigo mesmos: “Bem, não estou vivendo todos os mandamentos e não faço tudo o que devia, mas estou-me dando relativamente bem na vida. Acho que posso continuar a viver no mundo e na Igreja”. Irmãos, garanto-lhes que isso não vai funcionar a longo prazo.

Há poucos meses, recebi uma carta de um homem que achava que poderia desfrutar das duas coisas. Ele hoje está arrependido e colocou sua vida em harmonia com os princípios e mandamentos do evangelho. Quero compartilhar com vocês um parágrafo de sua carta, porque retrata a realidade de um modo de pensar equivocado: “Tive de aprender por mim mesmo (do modo mais difícil) que o Salvador estava absolutamente certo, quando disse: ‘Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.’8 Tentei, o máximo que alguém já tentou, fazer as duas coisas. No final, senti todo o vazio, toda a escuridão e toda a solidão que Satanás faz cair sobre os que acreditam em suas falsidades, ilusões e mentiras”.

Para que sejamos fortes e suportemos todas as forças que nos empurram na direção errada ou todas as vozes que nos encorajam a tomar o caminho errado, precisamos ter nosso próprio testemunho. Quer tenham 12 ou 112 anos — ou qualquer idade intermediária — vocês podem saber por si mesmos que o evangelho de Jesus Cristo é verdadeiro. Leiam o Livro de Mórmon. Ponderem seus ensinamentos. Perguntem ao Pai Celestial se esse livro é verdadeiro. Temos a promessa de que, “se perguntardes com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo”.9

Se soubermos que o Livro de Mórmon é verdadeiro, então, com certeza Joseph Smith foi realmente um profeta e viu Deus, o Pai Eterno, e Seu Filho, Jesus Cristo. Também podemos concluir que o evangelho foi restaurado nestes últimos dias por intermédio de Joseph Smith — inclusive a restauração do Sacerdócio Aarônico e do de Melquisedeque.

Depois de obter um testemunho, temos o encargo de compartilhar esse testemunho com outras pessoas. Muitos de vocês, irmãos, serviram como missionários no mundo inteiro. Muitos de vocês, rapazes, ainda vão servir. Preparem-se agora para essa oportunidade. Certifiquem-se de estar dignos para servir.

Se estivermos preparados para compartilhar o evangelho, estaremos prontos para atender ao conselho do Apóstolo Pedro, que nos exortou: “Estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”.10

Ao longo de toda a vida, teremos oportunidades de compartilhar nossas crenças, embora nem sempre saibamos quando seremos conclamados a fazê-lo. Tive essa oportunidade em 1957, quando trabalhava na indústria gráfica e recebi a incumbência de ir a Dallas, Texas, que às vezes é chamada de “a cidade das igrejas”, para falar em uma convenção desses profissionais. Depois do término da convenção, peguei um ônibus de turismo para fazer um passeio pelos subúrbios da cidade. Ao passarmos pelas diversas igrejas, nosso motorista comentava: “À esquerda, vocês podem ver a igreja metodista”, ou “Ali, à direita, está a catedral católica”.

Ao passarmos por um belo edifício de tijolos vermelhos, em cima de uma colina, o motorista exclamou: “Aquele edifício é onde os mórmons se reúnem”. Uma senhora, nos fundos do ônibus, pediu: “Motorista, será que você poderia dizer-nos algo mais sobre os mórmons?”

O motorista parou o ônibus junto à calçada, virou-se no banco e respondeu: “Senhora, tudo o que sei a respeito dos mórmons é que eles se reúnem naquele edifício de tijolos vermelhos. Há alguém no ônibus que saiba algo mais sobre os mórmons?”

Esperei que alguém respondesse. Olhei para a expressão que cada pessoa tinha no rosto, procurando algum sinal de reconhecimento, algum desejo de fazer um comentário. Nada. Dei-me conta de que a mim cabia fazer o que o Apóstolo Pedro tinha sugerido: “Estai sempre preparados para responder (…) a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”. Também me dei conta da veracidade do ditado: “Quando chega o momento da decisão, o tempo de preparação já passou”.

Nos quinze minutos ou mais que se seguiram, tive o privilégio de compartilhar com as pessoas que estavam no ônibus o meu testemunho acerca da Igreja e de nossas crenças. Fiquei grato por meu testemunho e por estar preparado para compartilhá-lo.

De todo coração e alma, oro para que todo homem que possui o sacerdócio honre esse sacerdócio e seja leal à confiança transmitida quando ele lhe foi conferido. Que cada um de nós, que possuímos o sacerdócio de Deus, saiba em que acredita. 


Que sempre sejamos corajosos e estejamos preparados para defender nossa crença. E, se for preciso ficar sozinho nesse processo, que o façamos com coragem, fortalecidos pelo conhecimento de que, na realidade, nunca estamos sozinhos quando nos colocamos ao lado de nosso Pai Celestial.

Ao contemplar a grande dádiva que nos foi concedida (“os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu”), que nossa determinação seja a de sempre guardar e sempre proteger essa dádiva, e de sermos dignos de suas grandes promessas. Irmãos, sigamos as instruções do Salvador para nós, que se encontram no livro de 3 Néfi: “Levantai vossa luz para que brilhe perante o mundo. Eis que eu sou a luz que levantareis — aquilo que me vistes fazer”.11

Que sempre sigamos essa luz e a levantemos para que o mundo inteiro a veja. É minha oração e minha bênção sobre todos os que ouvem a minha voz. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Nosso Refinado Lar Celestial


ÉLDER DOUGLAS L. CALLISTER                                                          A Liahona junho 2009

Se pudéssemos abrir o véu e observar nosso lar celestial, ficaríamos impressionados com o refinamento da mente e do coração daqueles que alegremente vivem ali. Imagino que nossos pais celestiais sejam extraordinariamente refinados. Neste evangelho de grandes exemplos, um dos propósitos de nossa provação terrena é tornar-nos semelhantes a eles de todas as maneiras concebíveis para que nos sintamos à vontade na presença de nossos pais celestiais e, usando a linguagem de Enos, vejamos a face deles “com prazer” (Enos 1:27). 

O Presidente Brigham Young (disse: “Estamos procurando ser semelhantes àqueles que vivem no céu. Estamos tentando moldar nossa vida segundo a deles, para que pareçamos com eles, andemos como eles e conversemos como eles”. Eu gostaria de espiar atrás do véu que temporariamente nos separa de nosso lar celestial e descrever o ambiente virtuoso, belo e refinado que lá existe.Vou falar da linguagem, literatura, música e arte do céu, bem como da aparência imaculada dos seres celestiais, porque acredito que no céu encontraremos cada uma dessas coisas em sua pura e perfeita forma.Quanto mais próximos estivermos de Deus, mais facilmente nosso espírito será tocado por coisas refinadas e belas.



Linguagem

Deus fala todas as línguas de modo adequado. Ele usa uma linguagem recatada e comedida. Quando Deus descreveu o grande processo da criação desta Terra, Ele disse de modo comedido que ela “era boa”(Gênesis 1:4 ). Ficaríamos desapontados se Deus tivesse usado expressões exageradas como “super maneiro” ou coisas semelhantes.O refinamento ao falar não se reflete apenas em nossa escolha de palavras, mas também nas coisas sobre as quais falamos. Há pessoas que sempre falam de si mesmas. São pessoas inseguras ou orgulhosas. Há os que sempre falam dos outros. Geralmente são entediantes. Há os que falam de ideias arrebatadoras, livros cativantes e doutrina inspiradora. Esses são os poucos que deixam sua marca neste mundo. Os assuntos discutidos no céu não são insignificantes ou mundanos. São mais sublimes do que a nossa mais fértil imaginação poderia imaginar.Vamos sentir-nos em casa ali, se nesta Terra tivermos ensaiado conversas sobre coisas refinadas e nobres, expressando-nos com palavras muito bem ponderadas.


Literatura

Não sei se haverá uma televisão ou um aparelho de DVD em nosso lar celestial, mas imagino que sem dúvida haverá um piano de cauda e uma magnífica biblioteca.Para ser instruído, porém, não é necessário possuir dispendiosas coleções literárias, porque elas estão ao alcance tanto de ricos como de pobres nas bibliotecas públicas do mundo. O Presidente David O. McKay (1873–1970) costumava acordar todos os dias às 4h da manhã, ler rapidamente até dois livros e depois começar o trabalho às 6h da manhã. Ele sabia citar mil poemas de cor. Ele chamava os grandes mestres da literatura de “profetas menores”. Era um exemplo vivo desta advertência encontrada nas escrituras: “Nos melhores livros buscai palavras de sabedoria” (D&C 88:118).


Música

Se pudéssemos espiar atrás do véu celestial, provavelmente seríamos inspirados pela música do céu, que deve ser mais gloriosa do que qualquer música que tenhamos ouvido nesta Terra. Quando uma música passou pelo teste do tempo, sendo valorizada pelos nobres e refinados, o fato de deixarmos de apreciá-la não condena a boa música. A falha é nossa. Se um jovem cresce comendo só hambúrgueres e batatas fritas, é bem provável que não se torne um gourmet. Mas a culpa não é da comida refinada. Ele apenas cresceu consumindo algo inferior. Alguns cresceram ouvindo só música do tipo descartável.Este seria um bom momento para vasculhar sua biblioteca musical e escolher músicas que elevam e inspiram. Isso faz parte do processo de amadurecimento de sua jornada eterna. Também seria um bom momento para aprender a tocar um instrumento musical ou melhorar os talentos musicais que já possuem.O Élder Neal A. Maxwell, disse: “Vivemos num mundo por demais inclinado às coisas insípidas e precisamos prover uma oportunidade de cultivar o gosto pela melhor música. Da mesma maneira, estamos num mundo que está por demais sintonizado nas coisas do momento. Precisamos permitir que as pessoas se sintonizem na melhor música de todas as épocas”. Presidente Young disse: “Não há música no inferno, porque toda boa música pertence ao céu”. Se o único castigo do inferno fosse não ouvir uma nota sequer de música por toda a eternidade, já seria castigo bastante.


Arte, Aparência e Atitude

O que eu disse sobre levar a boa linguagem, literatura e música para nosso lar pode ser dito com igual veracidade sobre a boa arte, que provavelmente estará exposta com muito bom gosto em nosso lar celestial. Também o mesmo pode ser dito de nossa aparência física e atitude, da ordem em nosso lar, do nosso modo de fazer as orações e de nossa maneira de ler a palavra de Deus.

Alguns dizem, levianamente: “Minha aparência não tem nada a ver com o que Deus sente a meu respeito”. Mas é possível que tanto os pais terrenos como os pais celestiais fiquem silenciosamente desapontados, sem que isso diminua o amor que sentem pelos filhos.

O Presidente Joseph F. Smith ,sexto Presidente da Igreja, possuía poucas coisas, mas cuidava muito bem delas. Era muito cuidadoso com sua aparência. Ele passava suas notas de dólares para desamarrotá-las. Não permitia que ninguém além dele arrumasse sua mala, à noite. Sabia onde estava cada objeto da casa, cada parafuso ou rosca, e todos tinham seu próprio lugar.O mesmo poderia ser dito do ambiente em que você mora? Sua casa é uma casa de ordem? Será que você precisa varrê-la, limpá-la e arrumá-la antes de convidar o Espírito do Senhor para sua casa? O Presidente Lorenzo Snow (1814–1901) disse: “O Senhor não quer que os santos vivam sempre nas covas e cavernas deste mundo, mas que construam belas casas. Quando o Senhor vier, Ele não espera encontrar um povo sujo, mas, sim, um povo refinado”. David Starr Jordan, ex-reitor da Universidade Stanford, escreveu: “Ser vulgar é não fazer o melhor que pode haver. É fazer coisas medíocres de modo medíocre e ficar satisfeito com isso. (…) É vulgar usar roupas sujas quando não estamos realizando trabalho sujo. É vulgar gostar de música ruim, ler livros de má qualidade, gostar de notícias sensacionalistas, (…) divertir-se com romances baratos, gostar de peças de teatro vulgares ou ter prazer em ouvir piadas ordinárias”.

Seu Pai Celestial os enviou para longe de Sua presença para que tivessem experiências que não teriam em seu lar celestial, tudo isso em preparação para conceder-lhes um reino. Ele não quer que vocês percam a visão de quem vocês são. Vocês são filhos de um Ser exaltado. Foram pré-ordenados para presidir como reis e rainhas. Vão viver num lar e ambiente de infinito refinamento e beleza, que expressará a linguagem, literatura, música, arte e ordem do céu. Encerro com as palavras do Presidente Young: “Vamos mostrar ao mundo que temos talento e bom gosto, e provar ao céu que nossa mente está voltada para as coisas belas e a verdadeira excelência, de modo que possamos tornar-nos dignos de desfrutar o convívio dos anjos”. Mais ainda, que possamos tornar-nos dignos de desfrutar o refinado convívio com nossos pais celestiais, porque somos da raça dos Deuses, sendo “filhos do Altíssimo” (Salmos 82:6).

30 de outubro de 2011

TEMPO DE PREPARAÇÃO

Ian S. Ardern
Dos Setenta
Conferência Geral - outubro 2011


Devemos dedicar nosso tempo às coisas que mais importam.


O oitavo capítulo de Pregar Meu Evangelho concentra nossa atenção no uso sábio do tempo. Nesse capítulo, o Élder M. Russell Ballard nos lembra que devemos estabelecer metas e aprender a dominar as técnicas para alcançá-las (ver Pregar Meu Evangelho: Um Guia para o Serviço Missionário, 2004, p. 156). O domínio das técnicas necessárias para atingir nossos objetivos inclui a administração de nosso tempo.

Sinto-me grato pelo exemplo do Presidente Thomas S. Monson. Com tudo o que faz como profeta de Deus, ele ainda se certifica, como fez o Salvador, de que haja tempo suficiente para visitar os doentes (ver Lucas 17:12–14), para elevar os pobres em espírito e para ser servo de todos. Agradeço também pelo exemplo de muitos outros que doam seu tempo a serviço de seus semelhantes. Testifico que doar nosso tempo a serviço do próximo é agradável à vista de Deus e que isso nos aproxima Dele. Nosso Salvador cumprirá Sua promessa de que “o que nesta vida for fiel e prudente será considerado digno de herdar as mansões preparadas para ele por meu Pai” (D&C 72:4).

O tempo nunca está à venda. Por mais que você procure, o tempo é uma mercadoria que não pode ser comprada em loja alguma por preço algum, mas se for sabiamente utilizado, seu valor é imensurável. Seja qual for o dia todos recebemos, sem custo, o mesmo número de minutos e horas para usar, e logo aprendemos que, tal como o conhecido hino tão cuidadosamente ensina, “veloz nos foge o tempo, não há como o reter” (“Prolongue os Bons Momentos”, Hinos, nº 152). O tempo que temos, devemos usar com sabedoria. O Presidente Brigham Young disse: “Estamos todos em dívida com Deus por nossa capacidade de usar o tempo adequadamente. Ele exigirá que prestemos conta do uso que fizermos dessa capacidade” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Brigham Young, 1997, p. 229).

Com tudo o que é exigido de nós, devemos aprender a priorizar nossas escolhas, para que sejam condizentes com nossos objetivos, ou corremos o risco de ser expostos aos ventos da procrastinação, sendo impelidos de uma atividade desperdiçadora de tempo para outra. Recebemos do Mestre dos mestres uma boa aula sobre prioridades, quando Ele declarou em Seu Sermão da Montanha: “Mas procurai primeiro edificar o reino de Deus e estabelecer sua justiça e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33, nota de rodapé a; da Tradução de Joseph Smith, Mateus 6:38; ver também Dallin H. Oaks, “Enfoque e Prioridades”, A Liahona, julho de 2001, p. 92).

Alma falava de prioridades, quando ensinou que “esta vida se tornou um estado de provação; um tempo de preparação para o encontro com Deus” (Alma 12:24). Para saber como usar melhor a rica herança de tempo, a fim de preparar-nos para o encontro com Deus, talvez precisemos de alguma orientação, mas com certeza colocaremos o Senhor e nossa família no topo da lista. O Presidente Dieter F. Uchtdorf lembrou-nos que “no relacionamento familiar, o amor se soletra assim: t-e-m-p-o” (“As Coisas Que Mais Importam”, A Liahona, novembro 2010, p. 22). Testifico-lhes que, se buscarmos auxílio com sinceridade e fervor, nosso Pai Celestial nos ajudará a dar ênfase às coisas que mais merecem o nosso tempo.

O mau uso do tempo é um primo próximo da preguiça. Ao seguir o mandamento de deixar de “ser ociosos” (D&C 88:124), precisamos também certificar-nos de que estar ocupados equivale a ser produtivos. Por exemplo, é maravilhoso ter os meios de comunicação instantânea literalmente ao alcance de nossos dedos, mas certifiquemo-nos de não nos tornar comunicadores compulsivos. Sinto que alguns estão presos a um novo vício consumidor de tempo — um que nos escraviza a estarmos constantemente verificando e enviando mensagens sociais e, assim, dando a falsa impressão de estarmos ocupados e de sermos produtivos.

Há muito de bom em nosso acesso fácil à comunicação e a informações. Descobri que isso é muito útil para acessar artigos de pesquisa, discursos da conferência, registros de antepassados, e para receber e-mails, lembretes do Facebook, tweets e mensagens de textos. Por melhor que sejam essas coisas, não podemos permitir que empurrem para o lado as coisas de maior importância. Que triste seria se o telefone e o computador, com toda a sua sofisticação, afogassem a simplicidade da oração sincera a um Pai Celestial amoroso. Sejamos tão rápidos em ajoelhar-nos quanto em enviar mensagens de texto.

Os jogos eletrônicos e as amizades cibernéticas não são substitutos duradouros dos amigos verdadeiros, que podem nos dar um abraço encorajador, que podem orar por nós e buscar o nosso melhor interesse. Quão grato me senti ao ver membros de classes, dos quóruns e da Sociedade de Socorro se unirem para apoiar uns aos outros. Em tais ocasiões, compreendi melhor o que o Apóstolo Paulo quis dizer ao declarar: “Não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos” (Efésios 2:19).

Sei que nossa maior felicidade vem quando entramos em sintonia com o Senhor (ver Alma 37:37) e com as coisas que trazem recompensas duradouras, em vez de desperdiçarmos horas sem fim fazendo atualizações de status, cuidando de ‘fazendas’ e arremessando pássaros zangados contra paredes de concreto na Internet. Exorto cada um de nós a dominar as coisas que nos roubam tempo precioso, em vez de permitir que elas nos dominem com sua natureza viciante.

Para ter a paz que o Salvador mencionou (ver João 14:27), devemos dedicar nosso tempo às coisas que mais importam, e são as coisas de Deus que mais importam. À medida que tivermos comunhão com Deus em oração sincera, lendo e estudando as escrituras todos os dias, refletindo sobre o que lemos e o que sentimos, e depois aplicando e vivendo as lições aprendidas, vamos aproximar-nos Dele. Deus promete-nos que, se procurarmos diligentemente nos melhores livros, “[Ele nos] dará conhecimento, por seu Santo Espírito” (D&C 121:26; ver também D&C 109:14–15).

Satanás vai tentar-nos a fazer mau uso de nosso tempo com distrações disfarçadas. Embora surjam tentações, o Élder Quentin L. Cook ensinou que “os santos que atenderem à mensagem do Salvador não serão desviados por distrações e objetivos destrutivos” (“Você É Santo?”, A Liahona, novembro de 2003, p. 95). Hiram Page, uma das Oito Testemunhas do Livro de Mórmon, ensinou-nos uma lição valiosa sobre distrações. Ele possuía certa pedra, por meio da qual registrou o que ele achava serem revelações para a Igreja (ver D&C 28). Ao ser corrigido, um relato conta que a pedra lhe foi tirada, sendo triturada para que nunca mais voltasse a ser uma distração.1 Convido-os a identificar as distrações que desperdiçam tempo em sua vida e que talvez precisem ser figurativamente trituradas. Temos de ser sábios em nosso julgamento para garantir que as escalas de tempo estejam corretamente equilibradas, de modo a incluir o Senhor, a família, o trabalho e as atividades recreativas salutares. Como muitos já descobriram, há um aumento da felicidade na vida quando usamos nosso tempo para buscar as coisas que são “virtuosas, amáveis, de boa fama ou louváveis” (Regras de Fé 1:13).

O tempo avança rapidamente com o tique-taque do relógio da mortalidade. Hoje seria um bom dia para rever o que estamos fazendo a fim de preparar-nos para o encontro com Deus. Testifico-lhes que há grandes recompensas para os que reservam tempo na mortalidade a fim de prepararem-se para a imortalidade e a vida eterna. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

VOCÊ É IMPORTANTE PARA DEUS

Dieter F. Uchtdorf
Segundo Conselheiro na Primeira Presidência


O Senhor usa uma escala muito diferente da que o mundo usa para definir o valor de uma alma.


Moisés, um dos maiores profetas que o mundo já conheceu, foi criado pela filha do Faraó e passou os primeiros 40 anos de sua vida nos salões reais do Egito. Ele conheceu de perto a glória e a grandeza daquele antigo reino.

Anos mais tarde, no topo de uma montanha distante, longe do esplendor e da magnificência do poderoso Egito, Moisés esteve na presença de Deus e falou com Ele face a face, como um homem fala com seu amigo.1Nessa conversa, Deus mostrou a Moisés a obra de Suas mãos, concedendo-lhe um vislumbre de Sua obra e glória. Quando a visão terminou, Moisés caiu por terra pelo espaço de muitas horas. Quando finalmente recobrou as forças, deu-se conta de algo que, em todos os seus anos na corte do Faraó, nunca lhe tinha ocorrido.

Ele disse: “Sei que o homem nada é”.2

Somos Menos do Que Supomos

Quanto mais aprendemos sobre o Universo, mais compreendemos — pelo menos em pequena parte — o que Moisés sabia. O Universo é tão grande, misterioso e glorioso que é incompreensível à mente humana. “Mundos incontáveis criei”, disse Deus a Moisés.3A maravilha que é o céu à noite é um belo testemunho dessa verdade.

Poucas coisas enchem-me de assombro e tiram-me tanto o fôlego quanto voar na escuridão da noite acima de oceanos e continentes, olhando pela janela da cabine do avião para a glória infinita de milhões de estrelas.

Os astrônomos têm tentado contar o número de estrelas do Universo. Um grupo de cientistas estima que o número de estrelas dentro do alcance de nossos telescópios é dez vezes maior do que todos os grãos de areia que existem nas praias e desertos do mundo.4

Essa conclusão tem uma impressionante semelhança com a declaração do antigo profeta Enoque: “E se fosse possível ao homem contar as partículas da Terra, sim, de milhões de terras como esta, não seria sequer o princípio do número de tuas criações”.5

Dada a vastidão das criações de Deus, não é de admirar que o grande rei Benjamim tenha aconselhado seu povo “que [se lembrassem] e sempre [guardassem] na memória a grandeza de Deus e (…) própria nulidade [deles]”.6

Somos Maiores do Que Supomos

Mas mesmo que o homem seja nada, enche-me de admiração e reverência pensar que “o valor das almas é grande à vista de Deus”.7

Embora possamos olhar para a vastidão do Universo e dizer: “Que é o homem, em comparação com a glória da criação?” Deus mesmo disse que nós somos a razão pela qual Ele criou o Universo! Sua obra e glória — o propósito deste Universo magnífico — é salvar e exaltar a humanidade.8Em outras palavras, a vasta extensão da eternidade, as glórias e os mistérios do espaço e tempo infinitos foram todos criados para benefício de mortais comuns como eu e vocês. Nosso Pai Celestial criou o Universo para que pudéssemos alcançar nosso potencial como Seus filhos e filhas.

Este é um paradoxo do homem: comparado com Deus, o homem não é nada; ainda assim, somos tudo para Deus. Embora comparados ao cenário da criação infinita possamos parecer nada, temos uma centelha do fogo eterno ardendo dentro de nosso peito. Temos a incompreensível promessa de exaltação — mundos sem fim — ao nosso alcance. E é o grande desejo de Deus ajudar-nos a alcançá-la.

A Insensatez do Orgulho

O grande enganador sabe que uma de suas ferramentas mais eficazes para desviar os filhos de Deus do caminho certo é apelar para os extremos do paradoxo do homem. Com alguns, ele apela para sua tendência ao orgulho, enchendo-os de arrogância e encorajando-os a acreditar na fantasia de sua própria importância pessoal e invencibilidade. Ele lhes diz que transcenderam o comum e que, graças a sua habilidade, herança ou status social, eles se destacam dentre todos os que os rodeiam. Ele os leva a concluir que, portanto, não estão sujeitos às regras de qualquer outra pessoa e que não devem incomodar-se com os problemas alheios.

Dizem que Abraão Lincoln gostava muito de um poema que declara:
Oh, por que deve o espírito do mortal se orgulhar?
Como um meteoro fugaz, uma nuvem ligeira a passar,
Como o quebrar da onda, como o relâmpago que fulgura,
Passa o homem da vida para seu descanso na sepultura.9

Os discípulos de Jesus Cristo compreendem que, em comparação com a eternidade, nossa existência nesta esfera mortal é apenas “um momento” no espaço e no tempo.10 Eles sabem que o verdadeiro valor de uma pessoa pouco tem a ver com o que o mundo tem em alta estima. Eles sabem que mesmo que juntemos o dinheiro acumulado do mundo inteiro, isso não poderia comprar um pão na economia do céu.

Aqueles que vão “herdar o reino de Deus”11 são aqueles que se tornam “como uma criança, submisso, manso, humilde, paciente, cheio de amor”.12 “Porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.”13Esses discípulos entendem também que “quando estais a serviço de vosso próximo, estais somente a serviço de vosso Deus”.14

Não Fomos Esquecidos

Outra forma de Satanás enganar é por meio do desânimo. Ele procura concentrar nossa visão em nossa própria insignificância, até começarmos a questionar se temos algum valor. Ele diz que somos demasiado pequenos para que alguém nos note, que fomos esquecidos — especialmente por Deus.

Deixe-me compartilhar com vocês uma experiência pessoal que pode ser de alguma ajuda para aqueles que se sentem insignificantes, esquecidos, ou sozinhos.

Há muitos anos fiz o curso de formação de pilotos da Força Aérea dos Estados Unidos. Eu estava longe de casa e era um jovem soldado alemão ocidental, nascido na Checoslováquia, criado na Alemanha Oriental, que falava inglês com dificuldade grande. Lembro-me claramente de minha viagem para a nossa base de treinamento no Texas. Eu estava em um avião, sentado ao lado de um passageiro que falava com forte sotaque sulino. Eu mal conseguia entender uma palavra do que ele dizia. Na verdade, fiquei me perguntando se me fora ensinado o idioma errado o tempo todo. Estava apavorado com a ideia de que teria de competir pelos cobiçados altos postos do treinamento de pilotos com alunos que eram falantes nativos de inglês.

Quando cheguei à base aérea da pequena Cidade de Big Spring, Texas, procurei e encontrei o ramo da Igreja, que era formado por uns poucos membros maravilhosos que se reuniam em salas alugadas da própria base aérea. Os membros estavam no processo de construção de uma pequena capela que serviria como um lugar mais permanente para a Igreja. Naquela época, os membros forneciam a maior parte da mão de obra na construção de edifícios novos.

Dia após dia, eu assistia a meu treinamento de pilotos e estudava o máximo que podia e, em seguida, passava a maior parte do meu tempo livre trabalhando no novo prédio. Lá eu aprendi que um dois-por-quatro não é um passo de dança, mas um pedaço de madeira. Aprendi também a importante habilidade de sobrevivência de não acertar meu polegar ao bater um prego.

Eu passava tanto tempo trabalhando na capela que o presidente do ramo — que também era um de nossos instrutores de voo — expressou a preocupação de que talvez eu devesse passar mais tempo estudando.

Meus amigos e colegas pilotos também participavam de atividades no tempo livre, embora eu talvez possa dizer que algumas daquelas atividades não seriam condizentes com o folheto Para o Vigor da Juventude de hoje. De minha parte, eu gostava de ser membro ativo daquele minúsculo ramo do oeste do Texas, praticando minhas habilidades recém-adquiridas de carpintaria, e melhorando meu inglês ao cumprir meu chamado de dar aulas no quórum de élderes e na Escola Dominical.

Na época, Big Spring, apesar do nome, era um lugar pequeno, insignificante e desconhecido. E com frequência eu sentia exatamente o mesmo a meu respeito — insignificante, desconhecido e muito sozinho. Mesmo assim, nunca questionei se o Senhor teria me esquecido ou se Ele seria capaz de me encontrar naquele lugar. Eu sabia que para o Pai Celestial não importava onde eu estivesse, em que posição eu me classificasse em relação aos outros da minha turma de treinamento, ou qual fosse o meu chamado na Igreja. O que importava para Ele era que eu estava fazendo o melhor que podia, que meu coração estava voltado para Ele, e que eu estava disposto a ajudar os que me rodeavam. Eu sabia que se eu fizesse o melhor que podia, tudo ficaria bem.

E tudo ficou bem.15

Os Últimos Serão os Primeiros

O Senhor não Se importa se passamos o dia trabalhando em salões de mármore ou em estábulos. Ele sabe onde estamos, não importa quão humildes sejam nossas circunstâncias. Ele vai usar — Sua própria maneira e para os Seus santos propósitos — aqueles que voltam o coração a Ele.

Deus sabe que algumas das maiores almas que já viveram são pessoas que nunca irão aparecer nas crônicas da história. São almas humildes e abençoadas que imitam o exemplo do Salvador e passam os dias de sua vida fazendo o bem.16

Um casal assim, pais de um amigo meu, exemplificam esse princípio para mim. O marido trabalhava em uma usina de aço em Utah. Na hora do almoço ele pegava suas escrituras ou uma revista da Igreja para ler. Quando os outros trabalhadores viram isso, ridicularizaram e desafiaram suas crenças. Sempre que faziam isso, ele falava a eles com gentileza e confiança. Ele não permitiu que o desrespeito deles o fizessem sentir raiva ou ficar aborrecido.

Anos mais tarde, um dos que mais zombavam dele ficou muito doente. Antes de morrer, ele pediu àquele homem humilde que falasse em seu funeral — e ele o fez.

Aquele membro fiel da Igreja nunca teve muito em termos de status social ou riqueza, mas sua influência estendeu-se profundamente a todos os que o conheciam. Ele morreu em um acidente de trabalho, ao parar para ajudar outro trabalhador que ficara preso na neve.

Um ano depois, a viúva teve que ser submetida a uma cirurgia no cérebro, que a deixou incapaz de andar. Mas as pessoas amam passar o tempo com ela porque ela ouve. Ela se lembra. Ela se preocupa. Incapaz de escrever, ela memoriza o telefone dos filhos e netos. Ela carinhosamente se lembra de aniversários e datas especiais.

Os que vão visitá-la saem da casa dela se sentindo melhor sobre a vida e sobre si mesmos. Eles sentem o seu amor. Sabem que ela se importa. Ela nunca reclama, mas passa os dias abençoando a vida dos outros. Uma de suas amigas disse que aquela mulher foi uma das poucas pessoas que ela conhecera que verdadeiramente exemplificavam o amor e a vida de Jesus Cristo.

Aquele casal teria sido o primeiro a dizer que não eram de grande importância neste mundo. Mas o Senhor usa uma escala muito diferente da que o mundo usa para definir o valor de uma alma. Ele conhece aquele casal fiel, Ele os ama. Suas ações são um testemunho vivo de sua vigorosa fé Nele.

Você É Importante para Deus

Meus queridos irmãos e irmãs, pode ser verdade que o homem não é nada em comparação com a imensidão do Universo. Às vezes, podemos até nos sentir insignificantes, invisíveis, sozinhos ou esquecidos. Porém, lembre-se sempre: você é importante para Ele! Se duvidar disso, lembre-se destes quatro princípios divinos:

Primeiro, Deus ama os humildes e mansos, porque eles são “[os maiores] no reino dos céus”.17

Em segundo lugar, o Senhor confia que “a plenitude do [Seu] evangelho seja proclamada pelos fracos e pelos simples aos confins da Terra”.18Ele escolheu “as coisas fracas do mundo [para ir e abater] as poderosas e fortes”19 e para confundir “as fortes”.20

Em terceiro lugar, não importa onde você more, não importa quão humildes sejam suas circunstâncias, quão simples seja seu emprego, quão limitadas sejam suas habilidades, quão comum seja sua aparência ou quão pequeno seu chamado na Igreja lhe possa parecer, você não é invisível para seu Pai Celestial. Ele ama você. Ele conhece seu coração humilde e seus atos de amor e bondade. Juntos, eles formam um testemunho duradouro de sua fidelidade e fé.

Quarto e último, por favor, entenda que o que você vê e vivencia agora não é o que sempre será. Você não vai sentir a solidão, tristeza, dor ou desânimo para sempre. Temos a promessa fiel de Deus de que Ele não vai esquecer nem abandonar aqueles que voltam o coração a Ele.21Tenha esperança e fé em sua promessa. Aprenda a amar o Pai Celestial e a tornar-se Seu discípulo em palavras e atos.

Tenha a certeza de que se você perseverar, acreditar Nele e manter-se fiel aos mandamentos, um dia você vai vivenciar por si mesmo as promessas reveladas ao Apóstolo Paulo: “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam”.22

Irmãos e irmãs, o Ser mais poderoso do Universo é o Pai de seu espírito. Ele os conhece. Ele os ama com um amor perfeito.

Deus não o vê apenas como um ser mortal, em um pequeno planeta, que vive pouco tempo — Ele vê você como filho Seu. Ele vê você como o ser que você é capaz de se tornar e que foi designado a se tornar. Ele quer que você saiba que você é importante para Ele.

Que possamos sempre acreditar, confiar e alinhar nossa vida para que possamos entender nosso verdadeiro valor e potencial eternos. Que sejamos dignos das bênçãos preciosas que nosso Pai Celestial reservou para nós, é minha oração, em nome de Seu Filho, Jesus Cristo. Amém.

1. Ver Moisés 1:2.
2. Moisés 1:10.
3. Moisés 1:33.
4. Ver Andrew Craig, “Astronomers Count the Stars”, BBC News, 22 de julho de 2003, http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/3085885.stm.
5. Moisés 7:30.
6. Mosias 4:11.
7. Doutrina e Convênios 18:10.
8. Ver Moisés 1:38–39.
9. William Knox, “Mortality” [Mortalidade], James Dalton Morrison, ed., Masterpieces of Religious Verse [Obras de Arte de Versículos Religiosos], 1948, p. 397.
10. Doutrina e Convênios 121:7.
11. 3 Néfi 11:38.
12. Mosias 3:19.
13. Lucas 18:14; ver também versículos 9–13.
14. Mosias 2:17.
15. Dieter F. Uchtdorf é o primeiro colocado de sua classe.
16. Ver Atos 10:38..
17. Mateus 18:4; ver também versículos 1–3.
18. Doutrina e Convênios 1:23.
19. Doutrina e Convênios 1:19.
20. I Coríntios 1:27.
21. Ver Hebreus 13:5.
22. I Coríntios 2:9.

Os Missionários São um Tesouro da Igreja


Kazuhiko Yamashita
Dos Setenta
Conferência Geral - outubro 2011


Sou grato pelos missionários serem chamados pelo Senhor e por eles responderem a esse chamado e servirem em todo o mundo.


Certa noite, há muitos anos, um missionário recém-chamado, Élder Swan, e seu companheiro sênior japonês vieram visitar-me em casa. Felizmente eu estava em casa e por isso pudemos convidá-los a entrar. Quando os cumprimentei à porta, meus olhos foram atraídos pelo paletó que o Élder Swan usava. Sem pensar, falei: “Que belo paletó você está usando!” No entanto, não era um paletó novo, mas surrado. Presumi que aquele paletó havia sido deixado para trás por outro missionário que fora transferido.

O Élder Swan imediatamente respondeu-me de forma totalmente oposta à que eu tinha em mente. Em japonês entrecortado, ele disse: “De fato, este é um bom paletó. Meu pai o usou há vinte anos quando serviu como missionário no Japão”.

O pai dele tinha servido na Missão Japão Okayama. E quando seu filho partiu para servir missão no Japão, ele deu-lhe aquele paletó. Esta foto mostra esse paletó que duas gerações de Élderes Swan usaram no Japão.

Fiquei emocionado ao ouvir as palavras do Élder Swan e compreendi a razão dele ter usado o paletó do pai enquanto fazia proselitismo. O Élder Swan tinha partido para a missão levando como herança a determinação e o amor pelo Japão e seu povo que seu pai demonstrara.

Com certeza alguns de vocês já viram algo semelhante. Vários missionários que servem no Japão já me falaram que seus pais, mães ou até mesmo avós e tios também serviram missão no Japão.

Gostaria de expressar meu amor sincero, respeito e minha gratidão por todos os ex-missionários que serviram por todo o mundo. Tenho certeza de que aqueles a quem ajudaram a converter não se esqueceram de vocês. “Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas (…)”.1

Sou um desses conversos. Fui convertido aos 17 anos, quando estava no ensino médio. O missionário que me batizou foi o Élder Rupp, de Idaho. Ele foi recentemente desobrigado como presidente de estaca em Idaho. Não o vi mais desde que eu era recém-batizado, mas já trocamos e-mails e falamos ao telefone. Nunca o esqueci. Seu rosto bondoso e sorridente está gravado em minha memória. Ele ficou muito feliz ao saber que eu estava bem!

Aos 17 anos, eu não tinha uma boa compreensão das mensagens que os missionários estavam me dando. No entanto, nutria um sentimento especial pelos missionários. Queria tornar-me como eles e sentia seu amor profundo e perene.

Quero contar-lhes sobre o dia do meu batismo. Era 15 de julho e o dia estava muito quente. Uma mulher também foi batizada no mesmo dia. A fonte batismal tinha sido feita artesanalmente pelos missionários e não parecia grande coisa.

Fomos confirmados logo após o batismo. Primeiro, o Élder Lloyd confirmou a irmã. Sentei-me com os outros membros, fechei os olhos e silenciosamente escutei. O Élder Lloyd a confirmou e em seguida pronunciou uma bênção sobre ela. No entanto, o Élder Lloyd parou de falar, o que me fez abrir os olhos e fixar o olhar nele.

Consigo lembrar-me daquela cena até hoje. Os olhos do Élder Lloyd estavam marejados de lágrimas. Pela primeira vez na vida, senti-me envolvido pelo Santo Espírito. E por meio do Santo Espírito obtive um conhecimento seguro de que o Élder Lloyd nos amava e de que Deus também nos amava.

Então, chegou a minha vez de ser confirmado. Foi o Élder Lloyd de novo que confirmou. Colocou as mãos sobre minha cabeça e confirmou-me membro da Igreja, conferiu-me o dom do Espírito Santo e depois pronunciou uma bênção. Outra vez ele interrompeu a bênção. Porém, dessa vez compreendi o que ocorria. Sem dúvida eu sabia por meio do Espírito Santo que os missionários me amavam e que Deus também me amava.

Agora gostaria de dizer algumas palavras aos missionários que estão servindo no mundo todo. Sua atitude e sobretudo o amor que mostram pelos outros serão mensagens muito significativas. Ainda que eu não fosse capaz de entender instantaneamente as doutrinas que os missionários ensinaram-me, senti seu grande amor e aprendi lições importantes com seus muitos atos de bondade. Sua mensagem é uma mensagem de amor, de esperança e de fé. Sua atitude e suas ações convidam o Espírito e é o Espírito que nos capacita a compreender as coisas que são importantes. O que quero comunicar a vocês é que por meio do seu amor, vocês estão transmitindo o amor de Deus. Vocês são um tesouro nesta Igreja. Sou grato por todo o seu sacrifício e toda a sua dedicação.

Gostaria também de falar a vocês, futuros missionários. Na minha própria família quatro de nossos filhos já terminaram a missão e nosso quinto missionário entrará no Centro de Treinamento Missionário de Provo no final do mês que vem. No ano que vem, nosso caçula planeja sair em missão quando terminar o ensino médio.

Assim, falo a meus filhos e a todos vocês que se preparam para servir missão. É preciso que tragam com vocês três coisas para a missão:

1.

1. O desejo de pregar o evangelho. O Senhor deseja que vocês procurem Suas ovelhas. 2 Há pessoas em todo o mundo esperando por vocês. Por favor, dirijam-se rapidamente para onde eles estão. Ninguém procura resgatar as pessoas com mais dedicação que os missionários. Sou um dos resgatados.
2.

2. Desenvolvam seu próprio testemunho. O Senhor requer o “coração e uma mente solícita”.3
3.

Ame as pessoas, assim como o Élder Swan, que trouxe para a missão o paletó de seu pai e o amor de seu pai pelo Japão e seu povo.

E aqueles entre vocês que não sabem como se preparar para a missão, conversem com seu bispo. Sei que ele os ajudará.

Sou grato pelos missionários serem chamados pelo Senhor e por eles responderem a esse chamado e servirem em todo o mundo. Gostaria de dizer a todos vocês, amados ex-missionários: sou realmente grato por todos os seus esforços. Vocês são um tesouro nesta Igreja. Continuem sempre a ser missionários e a agir como discípulos de Cristo.

Testifico que somos filhos do Pai Celestial, que Ele nos ama e que enviou Seu Amado Filho, Jesus Cristo, para podermos voltar a Sua presença. Digo estas coisas em nome de Jesus Cristo. Amém.



1. Isaías 52:7.


2. Ezequiel 34:11.


3. Doutrina e Convênios 64:34.

O Privilégio de Orar

J. Devn Cornish
Dos Setenta
Conferência Geral - outubro 2011


A oração é um dos mais preciosos dons que Deus concedeu ao homem.


Meus amados irmãos e irmãs, Deus, nosso Pai, não é um sentimento, uma ideia ou uma força. Ele é uma pessoa santa como as escrituras nos ensinam, tem um rosto, mãos e um corpo ressurreto e glorioso. Ele é real; Ele conhece cada um de nós pessoalmente e ama todos nós. Ele deseja abençoar-nos.

Jesus disse:

“E qual de entre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra?

E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente?

Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?” (Mateus 7:9–11).

Talvez uma experiência pessoal ajude a ilustrar esse ponto. Quando eu era um jovem médico residente no Hospital Infantil de Boston, eu trabalhava por muitas horas e, na maioria das vezes, ia do hospital para casa, em Watertown, Massachusetts, de bicicleta, pois minha mulher e as crianças precisavam do carro. Certa tarde, eu ia para casa após um longo período no hospital sentindo-me muito cansado, faminto e um pouco desanimado. Eu sabia que precisava dar a minha esposa e aos meus filhinhos não apenas meu tempo e minha energia ao chegar em casa, mas também ter uma atitude positiva. Francamente eu estava achando difícil até mesmo pedalar.

No caminho havia uma loja de frango frito. Senti que estaria bem menos faminto e cansado se parasse para comer um pedaço de frango antes de chegar em casa. Eu sabia que a loja tinha uma oferta de coxas e sobrecoxas por 29 centavos cada, mas ao abrir minha carteira, vi que só tinha cinco centavos. Ao continuar pedalando, falei ao Senhor da minha situação e perguntei-Lhe, se em Sua misericórdia, Ele me permitiria achar uma moeda de 25 centavos na rua. Eu disse que não precisava daquilo como sinal, mas que ficaria muito grato se Ele me concedesse tal bênção.

Comecei a olhar para o chão com mais atenção, mas não achei nada. Procurando manter uma atitude de fé e submissão enquanto prosseguia, via a loja aproximar-se. Então, quase bem em frente à loja de frango frito, vi uma moeda de 25 centavos no chão. Com gratidão e alívio, peguei-a, comprei o pedaço de frango, saboreei cada bocado e fui feliz para casa.

Em Sua misericórdia, o Deus do céu, Criador e Soberano de tudo, tinha ouvido uma oração a respeito de uma coisa de pouquíssima importância. Alguém poderia perguntar-se por que Ele Se preocuparia com algo tão insignificante. Creio que nosso Pai Celestial nos ama tanto, que as coisas que são importantes para nós tornam-se importantes para Ele, só porque Ele nos ama. Quanto mais Ele gostaria de ajudar-nos em grandes coisas que pedimos e que são corretas (ver 3 Néfi 18:20)?

Crianças, jovens e adultos, por favor, creiam no quanto um amoroso Pai Celestial deseja abençoar vocês.Porém, como Ele não interferirá em nosso arbítrio, precisamos pedir que Ele nos ajude. Tais pedidos são em geral feitos por meio da oração. A oração é um dos mais preciosos dons que Deus concedeu ao homem.

Certa ocasião, os discípulos perguntaram a Jesus: “Senhor, ensina-nos a orar” (Lucas 11:1). Em resposta, Jesus deu um exemplo que pode servir de guia aos princípios-chave da oração (ver Russell M. Nelson, “Ensinamentos das Orações do Salvador”, A Liahona, maio de 2009, p. 46; ver também Mateus 6:9–13; Lucas 11:1–4) . Seguindo o exemplo de Jesus,

começamos dirigindo-nos a nosso Pai Celestial: “Pai Nosso, que estás nos céus” (Mateus 6:9; Lucas 11:2). É um privilégio podermos dirigir-nos diretamente a nosso Pai. Não oramos a nenhum outro ser. Lembrem-se de que nos foi aconselhado evitar repetições, inclusive a repetição frequente do nome do Pai na própria oração.1

“Santificado seja o teu nome” (Mateus 6:9; Lucas 11:2). Jesus dirigiu-Se a Seu Pai em atitude de adoração, reconhecendo Sua grandeza, dando-Lhe honra e graças. Sem dúvida, essa reverência a Deus e a expressão sincera de gratidão são chaves para uma oração eficaz.

“Venha o teu reino, seja feita a tua vontade” (Mateus 6:10; Lucas 11:2). Reconhecemos de boa vontade nossa dependência do Senhor e expressamos o desejo de fazer Sua vontade, mesmo que seja contrária a nossa. Nosso Dicionário Bíblico, em inglês, explica: “A oração é o ato pelo qual a vontade do Pai e a de Seus filhos entram em sintonia. O propósito da oração não é o de alterar a vontade de Deus, mas de obtermos para nós mesmos e para os outros as bênçãos que Deus já está disposto a conceder, mas que devemos pedir para obter” (Bible Dictionary, “Prayer”; ver também Guia para Estudo das Escrituras, “Oração”).

“O pão nosso de cada dia nos dá hoje” (Mateus 6:11; ver também Lucas 11:3). Pedimos ao Senhor as coisas que desejamos receber Dele. A honestidade é essencial ao pedirmos coisas a Deus. Eu não seria totalmente honesto, por exemplo, se pedisse ao Senhor ajuda para uma prova da escola se não tivesse prestado atenção às aulas, feito os deveres ou estudado para essa prova. Muitas vezes, quando oro, o Espírito leva-me a admitir que devo fazer mais para receber a ajuda que peço ao Senhor. Então, preciso comprometer-me a fazer minha parte. É contrário à economia dos céus que o Senhor faça por nós algo que podemos fazer por nós mesmos.

“E perdoa-nos as nossas dívidas” (Mateus 6:12) , ou, em outra versão, “e perdoa-nos os nosso pecados” (Lucas 11:4). Uma parte essencial, mas às vezes negligenciada da oração pessoal, é o arrependimento. Para que o arrependimento funcione, ele deve ser específico, profundo e duradouro.

“Assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mateus 6:12, ver também Lucas 11:4). O Senhor deixou bem clara a relação entre sermos perdoados de nossos pecados e o perdão que concedemos a quem pecou contra nós. Às vezes, os erros dos outros contra nós são muito, muito dolorosos e difíceis de serem perdoados ou esquecidos. Sou muito grato pelo consolo e pela cura que tenho encontrado no convite do Senhor de esquecermos nossas mágoas e nos voltarmos para Ele. Em Doutrina e Convênios, seção 64, Ele disse:

“Eu, o Senhor, perdoarei a quem desejo perdoar, mas de vós é exigido que perdoeis a todos os homens.

E devíeis dizer em vosso coração: Que julgue Deus entre mim e ti e te recompense de acordo com teus feitos” (versículos 10–11).

Em seguida, devemos esquecer completamente, deixando que o Senhor cuide do assunto, se quisermos ser curados.

“E não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal” [Mateus 6:13, nota de rodapé a; em TJS, Mateus 6:14; ver também Lucas 11:4 (em inglês), nota de rodapé c, de Joseph Smith Translation]. Assim, em nossas orações podemos iniciar com o processo protetor de vestirmos toda a armadura de Deus (ver Efésios 6:11;D&C 27:15) contemplando o dia futuro e pedindo ajuda para os dias assustadores que às vezes vivemos. Peço-lhes, meus amigos, que não se esqueçam de rogar a Deus que os proteja e esteja com vocês.

“Porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre” (Mateus 6:13). Como é instrutivo Jesus ter concluído a oração louvando a Deus novamente e expressando Sua reverência e Sua submissão ao Pai! Quando de fato cremos que Deus governa Seu reino e que Ele tem todo o poder e toda a glória, estamos reconhecendo que Ele está realmente à frente, que nos ama com perfeito amor e deseja que sejamos felizes. Descobri que um dos segredos para uma vida alegre é reconhecer que fazer as coisas à maneira do Senhor me faz mais feliz do que se eu as fizer a meu modo.

Existe o risco de alguém não se sentir bem o suficiente para orar. Tal ideia advém daquele mau espírito, que é quem nos ensina a não orar (ver 2 Néfi 32:8). Alguém pensar que tem pecados demais para orar é tão trágico quando o doente que pensa que está doente demais para ir ao médico!

Não devemos pensar que qualquer oração, por mais sincera que seja, terá grande efeito, se tudo o que fizermos for orar. Não devemos apenas orar, mas também viver o que oramos. O Senhor Se regozija muito mais com aquele que ora e depois põe mãos à obra, do que com aquele que somente ora. Semelhante a um remédio, a oração funciona somente quando aplicada de acordo com a prescrição.

Quando digo que a oração é um doce privilégio, não é só porque sou grato por poder falar ao Pai Celestial e sentir Seu Espírito ao orar. É também porque Ele de fato responde e fala a nós. Claro que, em geral, Ele não nos fala com uma voz audível. O Presidente Boyd K. Packer explicou: “A doce e serena voz da inspiração vem mais como um sentimento do que como um som. A pura inteligência pode entrar em nossa mente. (…) Essa orientação vem por meio de pensamentos, sentimentos, sussurros e impressões” (“Oração e Inspiração”, A Liahona, novembro de 2009, p. 44).

Às vezes parece que não temos respostas a nossas orações sinceras e fervorosas. É preciso fé para lembrar que o Senhor responde a Seu tempo e a Sua maneira para melhor nos abençoar. Ou, ao pensar melhor, muitas vezes compreendemos que já sabíamos plenamente o que devíamos fazer.

Não desanimem se não funcionar dessa maneira imediatamente. Como no aprendizado de um idioma estrangeiro, é preciso prática e esforço. Mas saibam, no entanto, que vocês podem aprender a linguagem do Espírito e, quando a aprenderem, terão grande fé e poder na retidão.

Guardo com carinho o conselho de nosso amado profeta, o Presidente Thomas S. Monson, que disse: “Digo àqueles que, dentre os que me ouvem, estejam lutando com dificuldades, sejam grandes ou pequenas: a oração é a fonte de força espiritual; ela é o passaporte para a paz. A oração é o meio de nos dirigirmos ao Pai Celestial, que nos ama. Falem com Ele em oração e, depois, esperem a resposta. A oração opera milagres” (“Dê o Melhor de Si”, A Liahona, maio de 2009, p. 68).

Sou profundamente grato pelo privilégio de dirigir-me a meu Pai Celestial em oração. Sou grato pelas inúmeras vezes em que Ele me ouviu e respondeu. Por Ele me responder, inclusive às vezes de forma previsível e milagrosa, sei que Ele vive. Também humildemente testifico que Jesus, Seu santo Filho, é nosso Salvador vivo. Esta é Sua Igreja e Seu reino nesta Terra; esta obra é verdadeira. Thomas S. Monson, por quem oramos com fervor, é Seu profeta; dessas coisas testifico com plena certeza, em nome de Jesus Cristo. Amém.



1. Ver Francis M. Lyman, “Proprieties in Prayer”, em Brian H. Stuy, comp., Collected Discourses Delivered by President Wilford Woodruff, His Two Counselors, the Twelve Apostles, and Others, 5 vols., 1987–1992, vol. 3, pp. 76–79; B. H. Roberts, comp., The Seventy’s Course in Theology, 5 vols., 1907–1912, vol. 4, p. 120; Encyclopedia of Mormonism, 1992, “Prayer”, pp. 1118–1119; Bruce R. McConkie, Mormon Doctrine, 2ª ed., 1966, p. 583.

Não Te Esqueças de Mim


Não Te Esqueças de Mim

Dieter F. Uchtdorf

Segundo Conselheiro na Primeira Presidência
Conferência Geral - outubro de 2011


É minha oração e bênção que vocês nunca se esqueçam de que são verdadeiramente filhas preciosas no reino de Deus.


Minhas queridas irmãs, que alegria é estar com vocês hoje! Sempre aguardo ansiosamente esta reunião geral da Sociedade de Socorro e as excelentes mensagens proferidas aqui. Obrigado, irmãs. Para mim, é uma preciosa honra ter sido designado pelo Presidente Thomas S. Monson para falar a vocês e acrescentar alguns pensamentos específicos para as irmãs da Igreja.

Há algum tempo, caminhei por um belo jardim com minha esposa e minha filha. Fiquei maravilhado com a glória e a beleza das criações de Deus. Então, reparei, entre todas aquelas flores gloriosas, a menor delas. Eu sabia o nome daquela flor, porque desde criança eu me identificava com ela. A flor se chama não-te-esqueças-de-mim.

Não sei exatamente por que aquela pequena flor significou tanto para mim ao longo dos anos. Ela não atrai imediata atenção; é fácil não percebê-la entre flores maiores e mais vistosas; mas é igualmente bela, com sua cor peculiar que espelha o céu mais azul, talvez um motivo a mais para eu gostar tanto dela.

E existe a pungente súplica contida em seu nome. Há uma lenda alemã que diz que quando Deus havia acabado de nomear todas as plantas, uma foi deixada sem nome. Uma pequena voz exclamou: “Não Te esqueças de mim, ó Senhor!” E Deus respondeu que esse seria o seu nome.

Hoje à noite, gostaria de usar essa pequena flor como metáfora. As cinco pétalas da pequena flor não-te-esqueças-de-mim me fazem pensar em cinco coisas de que seria bom vocês nunca se esquecerem.

Primeiro: não se esqueçam de ser pacientes consigo mesmas.

Quero dizer-lhes uma coisa que espero que compreendam corretamente: Deus está plenamente consciente de que não somos perfeitos.

Deixe-me acrescentar: Deus também está plenamente consciente de que as pessoas que vocês acham que são perfeitas não o são.

E, ainda assim, gastamos demasiado tempo e energia comparando-nos aos outros — geralmente comparando nossos pontos fracos a seus pontos fortes. Isso nos leva a criar, para nós mesmos, expectativas que são impossíveis de cumprir. Como resultado, nunca celebramos nossos bons esforços, porque parecem menores do que o que os outros fazem.

Todos têm pontos fortes e pontos fracos.

É maravilhoso que vocês tenham pontos fortes.

Mas faz parte de sua experiência mortal vocês terem pontos fracos.

Deus quer, afinal, ajudar-nos a transformar todas as nossas fraquezas em forças,1 mas Ele sabe que esse é um objetivo de longo prazo.Ele quer que nos tornemos perfeitos2 e, se permanecermos no caminho do discipulado, um dia seremos. Tudo bem que ainda não tenham alcançado esse objetivo. Continuem trabalhando nisso, mas parem de punir-se a si mesmas.

Queridas irmãs, muitas de vocês são infinitamente compassivas e pacientes com as fraquezas dos outros. Lembrem-se também de ser compassivas e pacientes com vocês mesmas.

Nesse meio tempo, sejam gratas por todos os pequenos sucessos no lar, por seu relacionamento familiar, por sua educação e seu sustento, por sua participação na Igreja e seu aperfeiçoamento pessoal. Como a flor não-te-esqueças-de-mim, esses sucessos podem parecer pequenos para vocês, passando despercebidos aos outros, mas Deus os vê, e não são pequenos para Ele. Se acharem que o sucesso significa apenas ser a rosa mais perfeita ou a mais deslumbrante das orquídeas, vocês podem perder algumas das experiências mais doces da vida.

Por exemplo, insistir em realizar uma reunião familiar “perfeita” a cada semana — mesmo que isso deixe vocês e todos ao seu redor frustrados — pode não ser a melhor escolha. Em vez disso, perguntem-se: “O que poderíamos fazer como família que fosse agradável e espiritual e que nos aproximasse mais uns dos outros?” Essa noite familiar — embora modesta no objetivo e na execução — talvez tenha resultados bem mais positivos a longo prazo.

Nossa jornada rumo à perfeição é longa, mas podemos encontrar felicidade e alegria até nos menores passos.

Segundo: não se esqueçam da diferença entre um bom sacrifício e um sacrifício tolo.

Um sacrifício aceitável é quando abrimos mão de algo bom em troca de algo de valor muito maior.

Perder um pouco de sono para ajudar uma criança que está tendo um pesadelo é um bom sacrifício. Todos sabemos disso. Ficar acordada a noite toda, colocando em risco a própria saúde, para confeccionar para a filha o acessório perfeito para uma roupa de domingo, talvez não seja um sacrifício tão bom.

Dedicar parte de nosso tempo para estudar as escrituras ou para preparar uma aula é um bom sacrifício. Gastar muitas horas bordando o título da lição em pegadores de panela caseiros para cada irmã de sua classe talvez não seja.

Cada pessoa e cada situação é diferente, e um bom sacrifício para uma pode ser um sacrifício tolo para outra.

Como podemos reconhecer essa diferença em nossa própria situação? Podemos perguntar-nos: “Estou dedicando meu tempo e minha energia às coisas mais importantes?” Há muitas coisas boas para fazer, mas não podemos fazer todas. Nosso Pai Celestial fica mais feliz quando sacrificamos algo bom em troca de algo muito melhor, com uma perspectiva eterna. Às vezes, isso pode até significar a criação de uma pequena — porém bela — não-te-esqueças-de-mim, em vez de um grande jardim de flores exóticas.

Terceiro: não se esqueçam de ser felizes agora.

Na consagrada história infantil A Fantástica Fábrica de Chocolate, o misterioso fabricante de doces, Willy Wonka, esconde um bilhete dourado em cinco barras de chocolate e anuncia que quem encontrar um dos bilhetes ganhará um passeio por sua fábrica e um suprimento de chocolates para toda a vida.

Em cada bilhete dourado estava escrita esta mensagem: “Saudações, sortudo ganhador do Bilhete Dourado! (…) Há coisas fantásticas reservadas para você! Muitas surpresas maravilhosas o aguardam. (…) Surpresas místicas e maravilhosas (…) vão encantá-lo (…), assombrá-lo e espantá-lo”. 3

Nesse clássico infantil, pessoas do mundo inteiro ansiavam desesperadamente encontrar um bilhete dourado. Alguns achavam que toda a sua felicidade futura dependia de encontrarem ou não um bilhete dourado. Em sua ansiedade, as pessoas passaram a esquecer a simples alegria que uma barra de chocolate costumava proporcionar. A barra de chocolate em si se tornava uma decepção completa se não contivesse um bilhete dourado.

Da mesma forma, muitas pessoas estão hoje à espera de seu próprio bilhete dourado — o bilhete que elas acreditam conter a chave da felicidade com que sempre sonharam. Para algumas, o bilhete dourado pode ser um casamento perfeito; para outras, uma casa do tipo capa de revista; ou talvez a liberdade do estresse ou das preocupações.

Nada há de errado nos anseios justos — esperamos e buscamos coisas que são virtuosas, amáveis, de boa fama ou louváveis.4 O problema surge quando deixamos de lado a nossa felicidade e nos dedicamos à espera de um acontecimento futuro — o nosso bilhete dourado.

Certa mulher queria mais do que qualquer outra coisa casar-se no templo com um fiel portador do sacerdócio e tornar-se mãe e esposa. Ela tinha sonhado com isso a vida inteira e, oh, que mãe maravilhosa e que esposa amorosa ela seria! Sua casa seria repleta de amor e bondade. Jamais seria ali proferida uma palavra amarga. A comida nunca iria queimar. E os filhos, em vez de sair com seus amigos, prefeririam passar suas noites e seus fins de semana com a mamãe e o papai.

Esse era o seu bilhete dourado. Ela sentia que aquela era a única coisa da qual dependia toda a sua existência. Era a única coisa no mundo pela qual ela ansiava desesperadamente.

Mas isso nunca aconteceu. E com o passar dos anos, ela se tornou cada vez mais retraída, amarga e até irada. Não conseguia entender por que Deus não lhe concedia aquele desejo justo.

Ela trabalhava como professora de Ensino Fundamental, e o fato de estar rodeada de crianças o dia inteiro simplesmente a lembrava de que seu bilhete dourado nunca tinha aparecido. Com o passar dos anos ela se tornou mais decepcionada e retraída. As pessoas não gostavam de ficar perto dela e a evitavam sempre que podiam. Ela até chegou a descontar sua frustração nas crianças da escola. Passou a perder a paciência, oscilando entre acessos de raiva e uma solidão desesperada.

A tragédia dessa história é que aquela mulher querida, em meio a toda a sua decepção com seu bilhete dourado, não conseguiu perceber as bênçãos que já recebera. Ela não tinha crianças em casa, mas estava cercada delas na sala de aula. Não fora abençoada com uma família, mas o Senhor tinha lhe dado uma oportunidade que poucas pessoas têm — a chance de influenciar positivamente a vida de centenas de crianças e famílias, como professora.

A lição aqui é que, se gastarmos nossos dias à espera de rosas fabulosas, podemos perder a beleza e a maravilha das minúsculas não-te-esqueças-de-mim que estão ao nosso redor.

Isso não quer dizer que devemos abandonar a esperança ou moderar nossos objetivos. Nunca deixem de se esforçar pelo que há de melhor em vocês. Nunca parem de ter esperança em todos os desejos justos de seu coração. Mas não fechem os olhos e o coração para as belezas simples e refinadas dos momentos comuns do cotidiano, que compõem uma vida abundante e bem vivida.

As pessoas mais felizes que conheço não são as que encontram o seu bilhete dourado, mas sim as que, em meio a sua busca de objetivos dignos, descobrem e valorizam a beleza e a doçura dos momentos de cada dia. São as que, fio por fio, tecem diariamente uma grande colcha de gratidão e admiração ao longo de toda a vida. Essas são as que são verdadeiramente felizes.

Quarto: não se esqueçam dos “porquês” do evangelho.

Às vezes, na rotina de nossa vida, esquecemo-nos, sem querer, de um aspecto vital do evangelho de Jesus Cristo, da mesma forma que poderíamos ignorar uma bela e delicada não-te-esqueças-de-mim. Em nosso esforço diligente de cumprir todos os deveres e todas as obrigações que assumimos como membros da Igreja, às vezes vemos o evangelho como uma longa lista de tarefas que temos de acrescentar à nossa já suficientemente longa lista de coisas “para fazer”), como um período de tempo que precisamos de alguma forma encaixar em nossa agenda lotada. Concentramo-nos em o que o Senhor quer que façamos e em como podemos fazê-lo, mas às vezes nos esquecemos dos porquês.

Minhas queridas irmãs, o evangelho de Jesus Cristo não é uma obrigação: é um caminho traçado por nosso Pai Celestial amoroso, que leva à felicidade e paz nesta vida, e à glória e a uma realização indescritível na vida futura. O evangelho é uma luz que penetra a mortalidade e ilumina o caminho diante de nós.

Embora a compreensão do “que” e “como” do evangelho seja necessária, o fogo e a majestade eternas do evangelho decorrem do “por que”. Quando entendemos por que nosso Pai Celestial nos deu esse padrão de vida e quando lembramos por que nos comprometemos a torná-lo uma parte fundamental de nossa vida, o evangelho deixa de ser um fardo e, ao contrário, torna-se uma alegria e um prazer. Torna-se precioso e agradável.

Não trilhemos o caminho do discipulado com os olhos no chão, pensando apenas nas tarefas e obrigações a nossa frente. Não deixemos de perceber a beleza das gloriosas paisagens terrenas e espirituais que nos cercam.

Minhas queridas irmãs, procurem a majestade, a beleza e a alegria contagiante dos “porquês” do evangelho de Jesus Cristo.

O “que” e o “como” da obediência marcam o rumo e nos mantêm no caminho certo. O “por que” da obediência santifica nossas ações, transformando o mundano em majestoso. Ele amplia nossos pequenos atos de obediência em atos santos de consagração.

Quinto: não se esqueçam de que o Senhor ama vocês.

Quando criança, eu olhava para a pequena não-te-esqueças-de-mim e às vezes me sentia um pouco como aquela flor — pequeno e insignificante. Eu me perguntava se seria esquecido pela minha família ou por meu Pai Celestial.

Anos depois, posso olhar para trás para aquele menino, com ternura e compaixão. E agora eu sei: nunca fui esquecido.

E sei outra coisa e, como apóstolo do nosso Mestre, Jesus Cristo, proclamo com toda a certeza e convicção do meu coração: vocês também não!

Vocês não foram esquecidas.

Irmãs, onde quer que estejam, quaisquer que sejam suas circunstâncias, vocês não foram esquecidas. Não importa quão escuro o dia possa parecer, não importa quão insignificante você possa se sentir, não importa quão relegada você se sinta, nosso Pai Celestial não Se esqueceu de você. Na verdade, Ele ama você, com um amor infinito.

Pense nisto: Você é conhecida e lembrada pelo mais majestoso, poderoso e glorioso Ser do Universo! Você é amada pelo Rei do espaço infinito e do tempo eterno!

Aquele que criou as estrelas e tem ciência delas, conhece você e sabe seu nome — você é uma filha de Seu reino. O Salmista escreveu:

“Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste;

Que é o homem mortal para que te lembres dele? (…)

Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste”. 5

Deus ama você porque você é filha Dele. Ele ama você, mesmo que, às vezes, você possa se sentir solitária ou cometa erros.

O amor de Deus e o poder do evangelho restaurado são redentores e salvadores. Basta que você permita que o Seu amor divino entre em sua vida, e ele pode sarar qualquer ferida, curar qualquer mágoa e suavizar qualquer tristeza.

Minhas queridas irmãs da Sociedade de Socorro, vocês estão mais perto do céu do que supõem. Estão destinadas a coisas maiores do que podem imaginar. Continuem a crescer em fé e retidão pessoal. Aceitem o evangelho restaurado de Jesus Cristo como seu caminho na vida. Tenham carinho pelo dom da atividade nesta grande e verdadeira Igreja. Amem o dom do serviço na abençoada organização da Sociedade de Socorro. Continuem a fortalecer lares e famílias. Continuem a procurar e a ajudar outras pessoas que precisam de sua ajuda e da ajuda do Senhor.

Irmãs, há algo inspirador e sublime na pequena flor não-te-esqueças-de-mim. Espero que ela seja um símbolo das pequenas coisas que tornam a sua vida alegre e agradável. Por favor, nunca se esqueçam que devem ser pacientes e compassivas consigo mesmas, que alguns sacrifícios são melhores que outros e que vocês não precisam esperar o seu bilhete dourado para ser felizes. Por favor, nunca se esqueçam de que o “por que” do evangelho de Jesus Cristo vai inspirá-las e edificá-las. E nunca se esqueçam de que nosso Pai Celestial conhece, ama e valoriza cada uma de vocês.

Obrigado por serem quem vocês são. Obrigado pelos incontáveis atos de amor e serviço que oferecem a tantos. Obrigado por tudo o que vocês ainda vão fazer para levar a alegria do evangelho de Jesus Cristo às famílias, à Igreja, a sua comunidade e às nações do mundo.

Irmãs, nós as amamos. É minha oração e bênção que vocês nunca se esqueçam de que são verdadeiramente filhas preciosas no reino de Deus. No sagrado nome de nosso amado Salvador, Jesus Cristo. Amém.



1. Ver Éter 12:27.


2. Ver 3 Néfi 12–48.


3. Roald Dahl, Charlie e a Fábrica de Chocolate, 1964, pp. 55–56.


4. Ver Regras de Fé 1:13.


5. Salmos 8:3–5.
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