30 de setembro de 2011

O Poder de Mudar

PRESIDENTE JAMES E. FAUST (1920–2007)

Segundo Conselheiro na Primeira Presidência
Conferência Geral - novembro 2007

O Presidente Faust preparou este artigo durante os meses que precederam seu falecimento, ocorrido em 10 de agosto de 2007.
O poder de mudar é essencialmente real e é um magnífico dom espiritual concedido por Deus.

Cada um de nós, homem ou mulher, recebeu o poder de mudar a própria vida. Como parte do grande plano de felicidade do Senhor, temos o arbítrio para tomar decisões. Podemos decidir sair-nos melhor e ser melhores. De certa forma, cada um precisa mudar alguma coisa; isto é, uns precisam ser mais bondosos em casa, menos egoístas, melhores ouvintes e ter mais consideração no trato com as pessoas. Outros têm hábitos que precisam mudar, hábitos com que prejudicam a si próprios e aos que estão a seu redor. Pode haver algum momento em que precisemos de um empurrão que nos impulsione para a mudança.

Uma mudança significativa ocorreu a Saulo, quando seguia pela estrada de Damasco. Saulo andava “respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor” (Atos 9:1). No caminho, perto de Damasco, um resplendor de luz celeste o cercou.

“E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (Atos 9:4–5).

Pode ser que o coração de Saulo tenha sido abrandado quando os agitadores expulsaram Estevão da cidade e o apedrejaram, depositando suas capas aos pés de Saulo; mas sem dúvida alguma foi abandonado na estrada para Damasco, quando ouviu a voz do Senhor dizer: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues”.

“E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer” (Atos 9:6). Saulo estava cego ao se levantar e precisou ser conduzido até Damasco, onde a visão lhe foi restaurada e ele foi batizado. E ele, logo, “nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus” (Atos 9:20). Saulo, que mais tarde tornou-se conhecido como Paulo, experimentou uma mudança total, absoluta e completa que permaneceu inabalável até o dia de sua morte.

Mudar por Meio da Conversão

Certamente, vocês não tiveram uma experiência como essa em sua vida e nem eu, tampouco! A conversão, para a maioria de nós, é muito menos dramática, mas deve, ser igualmente significativa e representar um estímulo igualmente irresistível. Os recém-conversos da Igreja experimentam, em geral, sentem algo espiritual por ocasião do batismo. Um deles descreveu-o assim: “Jamais esquecerei a emoção que senti em minha alma; por estar limpo, por poder recomeçar, como filho de Deus (…). Foi um sentimento muito especial!” 1

A verdadeira conversão modifica vidas. Uma jovem escreveu contando como a vida fora infeliz em sua casa, quando era pequena. “Ficava amargurada vendo minha mãe e irmãos mais novos sofrerem com o temperamento violento de um pai alcoólatra.” Aos quatorze anos, alguém lhe disse que um dos mandamentos de Deus era honrar os pais. Refletindo sobre como poderia fazer isso, ela se sentiu compelida a estudar, a tornar-se uma boa aluna e a ser a melhor filha do mundo.

Pouca coisa além disso mudou na casa, mas ela ainda sentia que devia manter esse objetivo. Ao completar dezoito anos, chegou o momento de morar longe de casa para completar os estudos. Três semanas depois, ela foi visitar a família. Ela relembra:

“Fui visitá-los e minha mãe me recebeu chorando. Pensei que algo terrível tivesse acontecido, mas ela me abraçou e disse: ‘Desde que você foi embora, seu pai nunca mais bebeu’.

Minha mãe me contou que, na noite de minha partida, uns missionários mórmons tinham aparecido em casa (…).

Meu pai se tornou como uma criancinha. Eu podia ver o arrependimento e a humildade em seus olhos. Ele mudara completamente; deixou de fumar e beber ao mesmo tempo, e tentava guardar os mandamentos que os missionários lhe ensinavam. Passou a tratar-me como uma rainha, dispensando igual tratamento a minha mãe e irmãos. (…)

Toda minha família foi batizada. (…) Meu pai, aos 40 anos de idade, tornou-se o melhor pai do mundo”. 2

O poder do evangelho consegue verdadeiramente modificar nossa vida, arrancar-nos da tristeza e do desespero, e conduzir-nos à felicidade e alegria.

Mudar por Meio do Arrependimento

A transgressão produz dor e pesar. mas existe uma maneira de abandonar o “fel da amargura e [os] laços da iniqüidade” (Mosias 27:29). Se nos voltarmos para o Senhor e acreditarmos em Seu nome, poderemos mudar. Ele nos dará o poder de mudar nossa vida e o poder de afastar os maus pensamentos e maus sentimentos do coração. Poderemos ser resgatados do “mais escuro abismo” e ver “a maravilhosa luz de Deus” (Mosias 27:29). Poderemos ser perdoados. Poderemos encontrar a paz.

Há alguns anos, o Élder Marion D. Hanks, hoje Autoridade Geral emérita, contou como um incidente levou certo homem a arrepender-se e mudar a vida da noite para o dia:

“Ele tinha levado o filho para a casa de uma família conhecida com quem o menino ficaria enquanto ele participava de um torneio de beisebol. O garoto pareceu relutante com a idéia de seu pai acompanhá-lo à casa dessa família; por sua vez, o pai começou a imaginar se essas pessoas haveriam de alguma forma maltratado o filho. O menino como que se encolheu atrás dele quando bateram à porta. Uma vez no interior da casa, contudo, seu filho foi recebido calorosamente pela família e era evidente que ele também gostava muito de todos.

Mais tarde, ao buscar o filho, o pai, intrigado, pediu ao menino que explicasse o seu estranho comportamento. (…) A resposta do filho [foi]:

‘Fiquei com medo de de o senhor, sem querer, falar algum palavrão na casa deles, papai. Eles nunca falam palavrão e são pessoas muito legais. São educados uns com os outros e estão sempre rindo. Eles oram a cada refeição e também de manhã e de noite e me deixam orar com eles.’

O pai disse: ‘Não que o menino tivesse vergonha de mim: é que ele me amava tanto, que não queria que eu parecesse ser má pessoa’.

Esse pai, depois de resistir obstinadamente a uma geração de pessoas sinceras que tentaram ajudá-lo a ter uma vida melhor, fora tocado pelo doce espírito do próprio filho.” 3

O poder transformador tornou-se tão forte que esse pai não só voltou à atividade na Igreja, mas também se tornou líder na estaca.

Mudar ao Recuperar-se da Dependência

Outro tipo de mudança que desejo abordar é o abandono de hábitos que escravizam. Eles incluem os transtornos associados ao uso de álcool, drogas, fumo, aos distúrbios alimentares, os jogos de azar, ao comportamento sexual indigno e à pornografia. Quero citar um livro recentemente lançado sobre vícios debilitantes: “O uso abusivo de substâncias que causam dependência é uma das principais causas de doenças e mortes que poderiam ser evitadas nos Estados Unidos. O abuso das drogas arruína famílias, custa bilhões em produtividade perdida, esgota o sistema de saúde e acaba com a vida” 4 ; é uma maldição para a sociedade.

Existem muitos tipos de vícios e a mudança é difícil para quem sofre dessas graves dependências, pois algumas delas causam alterações no cérebro. Um artigo recente sobre a dependência afirma: “Na mente do dependente, ocorre uma redução da atividade no córtex pré-frontal, onde o pensamento racional poderia se impor ao comportamento impulsivo” 5 . Alguns vícios podem controlar-nos até o extremo de anular o arbítrio que Deus nos deu. Um dos métodos de ação mais eficazes de Satanás é encontrar meios de nos controlar. Conseqüentemente, devemos abster-nos de tudo o que nos impeça de cumprir os propósitos que Deus traçou para nós e que coloque em risco o recebimento das bênçãos da eternidade. Estamos neste mundo para que nosso espírito aprenda a controlar o nosso corpo, e não o contrário.

Qualquer tipo de dependência tem um preço terrível em termos de dor e sofrimento, e pode até nos afetar espiritualmente. Entretanto, existe esperança, porque a maioria das dependências pode, com o tempo, ser curada. Podemos mudar, embora seja difícil.

Devemos começar tomando a decisão de mudar. É verdade que é preciso ter coragem e humildade para admitir que precisamos de ajuda, mas pouquíssimas pessoas conseguem mudar sozinhas (se é que alguém consegue). A Igreja tem um programa de recuperação para dependentes que foi adaptado dos Doze Passos dos Alcoólatras Anônimos para a estrutura das doutrinas e as crenças da Igreja. Esses doze passos encontram-se no Guia para a Recuperação e Cura da Dependência, já disponível para os líderes do sacerdócio e demais membros.

Pode ser necessária uma mudança completa de vida. Precisamos desejar, de todo o coração, poder, mente e força, superar essas dependências nocivas. Precisamos estar preparados para renunciar total e absolutamente ao consumo bem como à pratica de tudo o que gere a dependência.

Muitos conseguiram deixar o hábito de consumir drogas. Susan, mãe de três filhos, usava drogas somente aos fins de semana, esforçando-se por esconder dos filhos o seu problema. Mas, mesmo assim, eles descobriram e imploraram a ela que parasse. Depois de três anos, com ajuda especializada e o apoio dos filhos, especialmente do filho de sete anos de idade, ela conseguiu. Ao olhar para trás, ela reconhece que o Pai Celestial guiou-a nesse processo e preparou-a para ouvir o evangelho. Ela conta:

“O evangelho modificou meu coração, minha aparência, minha atitude e meus sentimentos. Aprendi a orar. Sempre que tenho um problema, dirijo-me ao Pai Celeste, digo ‘Ajude-me’, e Ele me ampara. (…) Hoje, ando de cabeça erguida, porque sei que o Pai Celestial está ao meu lado, em todos os momentos. (…)

Oh, é bom recomeçar. Perdi muitas coisas por querer manter-me no mundo das drogas: perdi meu apartamento; meu filho quase morreu num incêndio; perdi meu casamento e perdi completamente a felicidade. Mas consegui recuperar-me. O Pai Celestial deu-me uma nova chance de recomeçar. Sinto-me nova: nova em folha, por dentro e por fora.” 6

Cada amanhecer pode ser uma nova oportunidade para começar a mudar. Podemos modificar nosso ambiente. Podemos mudar nossa vida substituindo velhos hábitos por novos. Podemos moldar nosso caráter e nosso futuro por meio de pensamentos mais puros e ações mais nobres. Para citar as palavras de outrem: “a possibilidade de mudar está sempre ali, com suas promessas ocultas de paz, felicidade e de uma vida melhor”7 .

Os vícios são ofensivos ao Espírito. Embora alguns vícios requeiram ajuda clínica profissional, não podemos menosprezar a ajuda espiritual que temos à disposição por meio das bênçãos do sacerdócio e da oração. O Senhor nos prometeu: “Minha graça basta a todos os que se humilham perante mim; porque caso se humilhem perante mim e tenham fé em mim, então farei com que as coisas fracas se tornem fortes para eles” (Éter 12:27). Lembremo-nos de que o poder de mudar é essencialmente real e é um magnífico dom espiritual concedido por Deus.

Presto meu testemunho de que, por meio do arrependimento e subseqüente retidão e pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo, a mais extraordinária mudança pode acontecer ao nosso para que ele venha a “ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas“ (Filipenses 3:21).

Três Metas para guiá-las

PRESIDENTE THOMAS S. MONSON

Sua influência estende-se para muito além de vocês mesmas e de seu lar, e toca outras pessoas de toda a Terra.


Esta noite nossa alma elevou-se rumo ao céu. Fomos abençoados com lindas músicas e mensagens inspiradas. O Espírito do Senhor está aqui.

Irmãs Julie Beck, Silvia Allred e Barbara Thompson—graças aos céus por sua mãe e seu pai, por seus professores, por seus líderes de jovens e outros que reconheceram o potencial que havia em vocês.

Parafraseando um pensamento:
Nunca se sabe o quanto vale uma menina,
É preciso esperar para ver;
Mas cada mulher com um nobre encargo,
Teve de, um dia, uma menina ser. 1

É um grande privilégio para mim estar com vocês. Sei que além de vocês aqui reunidas no Centro de Conferências, existem milhares de outras assistindo e escutando a transmissão via satélite.

Ao dirigir-me a vocês, percebo que, como homem, estou em minoria e preciso ser cuidadoso em meus comentários. Isso me lembra o homem que entrou em uma livraria e pediu a ajuda de uma balconista—uma mulher. “Vocês têm um livro intitulado Homem, o Senhor das Mulheres?” A balconista encarou-o e respondeu com sarcasmo: “Tente a seção de ficção!”

Asseguro-lhes, nesta noite, que respeito vocês, mulheres da Igreja, e estou plenamente ciente, citando William R. Wallace, de que “a mão que balança o berço é a mão que governa o mundo”. 2

Em 1901, o Presidente Lorenzo Snow disse: “As integrantes da Sociedade de Socorro (…) prestam ajuda ao aflito, abraçam o órfão e a viúva e se conservam limpas das manchas do mundo. Testifico que não há nenhuma mulher mais pura nem temente a Deus no mundo do que as que são encontradas nas fileiras da Sociedade de Socorro”. 3

Assim como nos tempos do Presidente Snow, existem aqui e agora, visitas a serem feitas, homenagens a serem partilhadas e almas famintas a serem alimentadas. Ao considerar a Sociedade de Socorro de hoje, sentindo-me humilde pelo privilégio de falar a vocês, volto-me a nosso Pai Celestial para receber Sua orientação divina.

Nesse espírito, senti que devo dar a cada membro da Sociedade de Socorro de todo o mundo, três metas a serem cumpridas:

1.

1. Estudem com afinco.
2.

2. Orem com convicção.
3.

3. Sirvam de boa vontade.

Consideremos cada uma dessas metas. Primeira, estudem com afinco.O Salvador do mundo instruiu: “Nos melhores livros buscai palavras de sabedoria; procurai conhecimento, sim, pelo estudo e também pela fé”. 4Ele acrescentou: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam”. 5

O estudo das escrituras ajudará nosso testemunho e o testemunho dos membros de nossa família. Nossos filhos hoje estão crescendo rodeados de vozes que os incitam a abandonar o que é correto e a buscar, em seu lugar, os prazeres do mundo. A menos que tenham um alicerce firme no evangelho de Jesus Cristo, um testemunho da verdade e a determinação de viver em retidão, eles ficarão suscetíveis a essas influências. É nossa responsabilidade fortalecê-los e protegê-los.

Em um grau assustador, nossos filhos hoje em dia estão sendo educados pela mídia, incluindo a Internet. Nos Estados Unidos, relata-se que a maioria das crianças assiste a aproximadamente quatro horas de televisão diariamente, sendo que grande parte da programação está repleta de violência, de uso de álcool e drogas e de temas sexuais. O tempo gasto em assistir a filmes e em jogar vídeo games soma-se àquelas quatro horas. 6 As estatísticas se assemelham em outros países desenvolvidos. As mensagens exibidas na televisão, em filmes e em outros meios estão, com freqüência, em oposição direta ao que queremos que nossos filhos sigam e adotem. É nossa responsabilidade não apenas ensiná-los a ser íntegros em espírito e doutrina, mas também a assim permanecer, a despeito das forças externas que venham a encontrar. Isso exigirá muito tempo e esforço de nossa parte — e para ajudarmos outras pessoas, nós mesmos precisamos da coragem espiritual e moral para resistir ao mal que vemos em toda parte.

Vivemos na época citada em 2 Néfi, capítulo 9:

“Oh! A vaidade e a fraqueza e a insensatez dos homens! Quando são instruídos pensam que são sábios e não dão ouvidos aos conselhos de Deus, pondo-os de lado, supondo que sabem por si mesmos; portanto sua sabedoria é insensatez e não lhes traz proveito. E eles perecerão. Mas é bom ser instruído, quando se dá ouvidos aos conselhos de Deus”. 7

É necessário coragem para apegar-se firmemente aos nossos padrões a despeito do escárnio do mundo. O Presidente J. Reuben Clark Jr., membro da Primeira Presidência durante muitos anos, disse: “Já houve casos de homens supostamente de fé (…) acharem que, se declarassem claramente suas crenças poderiam ser alvo da zombaria dos colegas descrentes e suas únicas opções seriam modificar suas crenças ou fazer pouco caso delas para justificarem-se, ou diluí-las de modo destrutivo, ou até fingir repudiá-las. Pessoas assim são hipócritas”. 8

Isso lembra os versículos muito vigorosos encontrados em II Timóteo no Novo Testamento, capítulo 1, versículos 7 e 8:

“Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.

Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor.”

Além de nosso estudo de temas espirituais, o aprendizado secular também é essencial. Com freqüência o futuro é desconhecido; portanto, cabe a nós, prepararmo-nos para as incertezas. As estatísticas revelam que em algum momento, devido à doença ou morte do marido ou à necessidade econômica, talvez vocês se encontrem no papel de provedoras. Algumas de vocês já desempenham esse papel. Exorto-as a estudarem —se ainda não estiverem estudando ou se ainda não terminaram os estudos — para que estejam preparadas a para sustentar a família, caso as circunstâncias o exijam.

Seus talentos se ampliarão à medida que estudarem e aprenderem. Vocês poderão ser mais úteis para sua família se estudarem e poderão ter paz de espírito sabendo que estão preparadas para as eventualidades da vida.

Repito: Estudem com afinco.

A segunda meta que quero mencionar é: Orem com convicção. O Senhor ordenou: “Ora sempre e derramarei meu Espírito sobre ti e grande será tua bênção”. 9

Talvez nunca tenha havido uma época em que tivéssemos maior necessidade de orar e de ensinar os membros da família a orar. A oração é a defesa contra a tentação. É por meio da oração sincera que podemos receber as bênçãos e o apoio necessários para que sigamos nosso caminho nesta jornada às vezes difícil e desafiadora a que chamamos de mortalidade.

Podemos ensinar a importância da oração a nossos filhos e netos tanto pela palavra como pelo exemplo. Partilho com vocês uma lição sobre o ensino pelo exemplo, relacionada à oração, conforme descrita na carta que recebi de certa mãe: “Caro Presidente Monson: Às vezes imagino se faço alguma diferença na vida de meus filhos. Como os crio sozinha e tenho dois empregos para sobreviver, às vezes, quando chego em casa encontro tudo em desordem, mas nunca perco a esperança”.

A carta prossegue descrevendo a ocasião em que ela e os filhos assistiam à conferência geral em que falei sobre a oração. O filho comentou: “Mãe, a senhora já nos ensinou isso”. Ela perguntou: “O que quer dizer com isso?” O filho replicou: “Bem, a senhora nos ensinou e nos mostrou como orar, mas na outra noite fui ao seu quarto para perguntar alguma coisa e vi a senhora ajoelhada orando ao Pai Celestial. Se Ele é importante para a senhora, Ele será importante para mim”. O final da carta dizia: “Acho que nunca se sabe que influência teremos, até que uma criança influência teremos, veja fazendo o que tentamos ensinar-lhe”.

Há alguns anos, pouco antes de sair de Salt Lake City para participar das reuniões anuais dos Escoteiros da América, em Atlanta, na Geórgia, resolvi levar comigo exemplares da revista New Era para distribuir essa excelente publicação aos líderes dos Escoteiros. Ao chegar ao hotel em Atlanta, abri o pacote com as revistas. Descobri que a minha secretária, sem nenhuma razão específica, colocara no pacote dois exemplares extras da edição de junho, que tinha como destaque o casamento no templo. Deixei os dois exemplares no quarto do hotel e, conforme planejara, distribuí os demais.

No último dia de reuniões, não tive vontade de ir ao almoço marcado, em vez disso senti-me compelido a voltar para o quarto. O telefone estava tocando quando entrei. A pessoa que me ligou era um membro da Igreja que ouvira que eu estava em Atlanta. Apresentou-se e perguntou-me se eu poderia dar uma bênção em sua filha de dez anos de idade. Concordei prontamente e essa irmã disse que ela, o marido, a filha e o filho iriam imediatamente ao meu apartamento no hotel. Enquanto aguardava, orei pedindo ajuda. Os aplausos da convenção foram substituídos pela sensação de paz que acompanhou a oração.

Então ouvi baterem à porta e tive o privilégio de conhecer uma família excelente. A filha de dez anos caminhava com o auxílio de muletas. O câncer exigira a amputação de sua perna esquerda—contudo, seu semblante estava radiante, sua confiança em Deus, inabalável. Foi dada a bênção. Mãe e filho ajoelharam-se ao lado da cama enquanto o pai e eu colocamos as mãos sobre a cabeça da garotinha. Fomos guiados pelo Espírito de Deus. Sentimo-nos humildes diante de Seu poder.

Senti as lágrimas correrem pelo meu rosto e caírem em minhas mãos colocadas sobre a cabeça daquela linda filha de Deus. Falei sobre as ordenanças eternas e a exaltação da família. O Senhor inspirou-me a exortar a família a entrar no sagrado templo de Deus. Ao final da bênção soube que tal visita ao templo fora planejada. Fizeram-me perguntas relativas ao templo. Eu não ouvi nenhuma voz celestial nem tive uma visão. Ainda assim vieram-me de forma clara à mente, as palavras: “Mencione a revista New Era”. Olhei para a cômoda e lá estavam os dois exemplares extras da edição da New Era sobre o templo. Entreguei um exemplar para a filha e o outro para os pais. Nós as examinamos juntos.

A família despediu-se, e novamente o quarto ficou silencioso. Uma oração de agradecimento subiu-me com naturalidade ao coração e, mais uma vez, determinei-me a sempre dar lugar à oração em minha vida.

Minhas queridas irmãs, não orem por tarefasque não excedam sua capacidade, mas orem por capacidade para cumprir suas tarefas. Então a realização de suas tarefas não será um milagre, vocês serão o milagre.

Orem com convicção.

Finalmente, sirvam de boa vontade. Vocês são uma vigorosa força para o bem, uma das maiores de todo o mundo. Sua influência estende-se para muito além de vocês mesmas e de seu lar, e toca outras pessoas de toda a Terra. Vocês estenderam a mão a seus irmãos e irmãs ao longo das ruas, das cidades, das nações, dos continentes e dos oceanos. Vocês personificam o lema da Sociedade de Socorro: “A caridade nunca falha”.

Vocês estão naturalmente rodeadas de oportunidades de serviço. Sem dúvida, às vezes vocês vêem tantas oportunidades que se sentem meio oprimidas por elas. Por onde começo? Como vou fazer tudo isso? Como escolher, dentre todas as necessidades que encontro, onde e como servir?

Com freqüência, pequenos atos de serviço são tudo o que é preciso para erguer e abençoar outra pessoa: uma pergunta sobre alguém da família, algumas palavras de incentivo, um cumprimento sincero, uma pequena nota de agradecimento, um telefonema rápido. Se formos observadores e ficarmos atentos, e se agirmos de acordo com a inspiração recebida, podemos realizar muitas coisas boas. Algumas vezes, claro, precisamos fazer mais.

Soube recentemente do serviço amoroso prestado a uma mãe quando os filhos eram muito pequenos. Com freqüência ela se levantava no meio da noite para cuidar de seus pequeninos, como as mães costumam fazer. sua amiga e vizinha do outro lado da rua vinha à casa dela no dia seguinte e dizia: “Vi as luzes acesas durante a noite e sei que você estava cuidando das crianças. Vou levá-las lá para a minha casa por umas duas horas enquanto você tira um cochilo”. Essa mãe conta: “Eu ficava tão agradecida por sua oferta, que demorou muito para que eu percebesse que, se ela vira a minha luz acesa durante a noite é porque estava cuidando de um dos filhos também e que precisava tanto quanto eu de um cochilo. Ela ensinou-me uma grande lição e desde aquela época tento ser tão observadora quanto ela em buscar oportunidades para servir outros”.

Incontáveis são os atos de serviço oferecidos pelo grande exército das professoras visitantes da Sociedade de Socorro. Alguns anos atrás ouvi falar de duas delas que ajudaram uma viúva angustiada chamada Angela, neta de um primo meu. O marido de Angela e um amigo dele foram andar de trenó motorizado e morreram asfixiados sob uma avalanche de neve. Cada um deles deixou a esposa grávida — no caso de Angela, do primeiro filho e da outra, não apenas grávida, mas também com uma criança com menos de três anos. No funeral do marido de Angela, o bispo contou que ao saber do trágico acidente, ele foi imediatamente à casa dela. Logo depois de chegar, a campainha tocou. Abriram a porta e lá estavam as duas professoras visitantes de Angela. O bispo disse que observou enquanto elas expressavam sinceramente seu amor e compaixão a Angela. As três mulheres choraram juntas e ficou claro que essas duas excelentes professoras visitantes se importavam muito com a Angela. Como, talvez, só as mulheres consigam, elas mostraram gentilmente —sem que lhes fosse pedido — exatamente que ajuda poderiam dar. Que elas ficariam ao lado de Angela durante todo o tempo que ela precisasse, era óbvio. O bispo expressou profunda gratidão por saber que seriam uma fonte real de consolo para ela nos dias que se seguiriam.

Tais atos de amor e compaixão são repetidos continuamente pelas maravilhosas professoras visitantes desta Igreja—não apenas em situações tão dramáticas como essa, mas, ainda assim, no mesmo tom genuíno.

Louvo aquelas que, com cuidado amoroso e preocupação compassiva alimentam o faminto, vestem o nu e alojam o que não tem um lar. Aquele que percebe a queda do pardal não deixará tal serviço passar despercebido. O desejo de erguer, a boa vontadeem ajudar e a bondade para doar vêm de um coração repleto de amor. Sirvam de boa vontade.

Nosso amado profeta, o Presidente Gordon B. Hinckley, falou o seguinte sobre vocês: “Deus plantou nas mulheres algo divino que se expressa com uma força serena, com elegância, paz, bondade, virtude, verdade e amor”.10

Minhas queridas irmãs, que nosso Pai Celestial abençoe cada uma de vocês, casadas ou solteiras, em seu lar, em sua família, em sua própria vida — que vocês mereçam a gloriosa saudação do Salvador do Mundo: “Bem está, servo bom e fiel” 11 , oro, ao abençoá-las e também à estimada esposa de James E. Faust, sua amada Ruth, que está aqui na primeira fileira, e a sua família, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Bom, Muito Bom, Excelente


ÉLDER DALLIN H. OAKS

Do Quórum dos Doze Apóstolos
Conferência Geral - novembro 2007


Temos de renunciar a algumas coisas boas em prol de outras muito boas ou excelentes, pois elas desenvolvem a fé no Senhor Jesus Cristo e fortalecem a família.


A maioria de nós tem mais encargos do que é capaz de cumprir. Como provedores da família, como pais, líderes e membros da Igreja, deparamo-nos com inúmeras escolhas quanto ao uso do nosso tempo e de outros recursos.

I.

Devemos começar por reconhecer a realidade de que o mero fato de algo ser bom não quer dizer que tem que ser feito. O número de coisas boas que poderiam ser realizadas ultrapassa em muito o tempo disponível para sua execução. Algumas coisas são melhores, e são elas que merecem atenção prioritária em nossa vida.

Jesus ensinou esse princípio na casa de Marta. Enquanto ela estava “distraída em muitos serviços” (Lucas 10:40), sua irmã Maria, “assentando-se (…) aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra” (versículo 39). Quando Marta reclamou que sua irmã deixara todo o trabalho para ela, Jesus elogiou Marta por sua diligência (versículo 40), porém ensinou: “mas uma só [coisa] é necessária; E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada” (versículos 41–42). Marta tinha motivos legítimos para ficar “ansiosa e afadigada com muitas coisas” (versículo 41), mas aprender o evangelho com o Mestre dos mestres era ainda mais “necessário”. Outras escrituras também ensinam que algumas coisas trazem mais bênçãos do que outras (ver Atos 20:35; Alma 32:14–15).

Com uma experiência da infância aprendi que algumas escolhas são boas, mas outras são melhores ainda. Vivi durante dois anos numa fazenda. Raramente íamos à cidade. Fazíamos as compras de Natal pelo catálogoRoebuck, da Sears. Eu passava horas mergulhado em suas páginas. Para as famílias da zona rural, naquela época, esse catálogo era como o shopping center ou a Internet, hoje em dia.

Um elemento da exposição das mercadorias do catálogo ficou gravado na minha mente. Havia três níveis de qualidade: bom, muito bom e excelente. Por exemplo, alguns sapatos masculinos figuravam como bons (1,84 dólares), outros como muito bons (2,98 dólares) e outros como excelentes(3,45 dólares). 1

Ao refletirmos sobre várias escolhas, convém lembrar que não basta que algo seja bom. Há outras escolhas melhores, muito boas, e outras melhores ainda, excelentes. Mesmo que determinada escolha seja mais difícil, caso o seu valor seja maior, isso a tornará a melhor de todas.

Pensem em como usamos nosso tempo nas escolhas que fazemos quanto a ver televisão, jogar videogames, navegar na Internet ou ler livros e revistas. Claro que é bom participar de diversões saudáveis ou obter informações interessantes; mas nem todas as coisas dessa natureza merecem a porção da nossa vida que lhes dedicamos. Algumas são melhores, e outras, melhores ainda. Quando o Senhor nos mandou buscar conhecimento, exortou-nos: “Nos melhores livros buscai palavras de sabedoria” (D&C 88:118, grifo do autor).

II.

Algumas das nossas escolhas mais importantes referem-se às atividades em família. Muitos chefes de família se preocupam porque sua atividade profissional lhes deixa com pouquíssimo tempo para a família. Não existe solução fácil para esse conflito de prioridades, mas não conheço nenhum homem que, ao fazer um retrospecto da vida profissional, tenha dito: “Não passei tempo suficiente no trabalho”.

Ao decidir a maneira de passar tempo em família, devemos ter o cuidado de não esgotar o tempo disponível com coisas meramente boas, e deixar pouco tempo para as coisas muito boas ou excelentes. Certo amigo meu fez nas férias de verão uma série de viagens com sua jovem família, incluindo visitas a locais históricos memoráveis. No final das férias, perguntou ao seu filho adolescente qual a atividade que mais lhe agradara. O pai aprendeu muito com a resposta, assim como todos aqueles que o ouviram contá-la: “Meu momento preferido das férias”, respondeu o menino, “foi a noite em que eu e o senhor nos deitamos na grama e conversamos olhando as estrelas”. Grandes atividades familiares podem ser boas para os filhos, mas nem sempre são melhores do que os momentos que um filho e um pai ou uma mãe cheios de amor passam a sós, um com o outro.

O tempo que os pais passariam com os filhos e que acaba sendo utilizado para atividades louváveis como aulas particulares, esportes coletivos e outros eventos escolares e extracurriculares também precisa ser regulado com cuidado; caso contrário, os filhos ficarão sobrecarregados e os pais, exaustos e frustrados. Os pais devem fazer o que for preciso para que haja tempo para a oração familiar, o estudo das escrituras em família, a noite familiar e outros momentos preciosos com toda a família e com cada filho individualmente, tempo para esses momentos que unem a família e ensinam os filhos a valorizar as coisas de importância eterna. Os pais devem ensinar as prioridades do evangelho por meio das atividades que realizam com os filhos.

Os especialistas em questões de família condenam o excesso de atividades para os filhos. As crianças e jovens desta geração estão muito mais ocupados, e a família passa menos tempo junta. Alguns índices dessa tendência inquietante são as estatísticas que revelam que o tempo despendido em atividades esportivas organizadas dobrou, mas o tempo livre das crianças sofreu uma redução semanal de 12 horas, e as atividades informais ao ar livre diminuíram 50 por cento. 2

O número de pessoas que afirmam jantar com a família inteira diminuiu 33 por cento. Isso é preocupante, pois o tempo que a família passa reunida, “fazendo as refeições em casa, [é] o fator preponderante para o bom desempenho escolar e o equilíbrio psicológico das crianças”. 3Também ficou demonstrado que as refeições em família contribuem bastante para evitar que os filhos fumem, consumam álcool e usem drogas. 4 Este conselho aos pais é sábio e inspirado: o que os seus filhos realmente querem no jantar é a sua presença.

O Presidente Gordon B. Hinckley exortou-nos: “Precisamos assumir nossa responsabilidade como pais, como se tudo na vida dependesse disso, porque, realmente, tudo na vida depende disso”. E continuou:

“Eu lhes peço, particularmente a vocês, homens, que façam uma pausa e avaliem-se como marido e pai e como o cabeça da família. Orem pedindo direção, ajuda, orientação e então sigam os sussurros do Espírito para guiarem-se na mais séria de todas as responsabilidades, pois as conseqüências de sua liderança no lar serão eternas e sem fim”. 5

A Primeira Presidência exortou os pais “a envidarem todos os esforços para ensinar e criar os filhos nos princípios do evangelho. (…) O lar é a base de uma vida reta e nenhum outro instrumento pode substituí-lo (…) nessa (…) responsabilidade conferida por Deus”. A Primeira Presidência declarou que “por melhores e mais louváveis que sejam outros encargos ou atividades, não se deve permitir que tomem o lugar dos deveres determinados por Deus e que só os pais e a família podem realizar a contento”. 6

III.

Os líderes da Igreja devem ter consciência de que as reuniões e atividades da Igreja podem tornar-se demasiado complexas e onerosas, caso a ala ou estaca tente levar os membros a fazerem tudo o que for bom e possível nos numerosos programas da Igreja. Nisso também é preciso traçar prioridades.

Os membros do Quórum dos Doze salientaram repetidas vezes a importância de usar de inspiração e discernimento quanto aos programas e atividades da Igreja. O Élder L. Tom Perry ensinou esse princípio na primeira reunião de treinamento mundial de liderança, em 2003. Ao aconselhar os mesmos líderes em 2004, o élder Richard G. Scottadmoestou-os a “adaptar suas atividades para que sejam coerentes com suas condições e recursos locais. (…) Certifiquem-se de que as necessidades essenciais sejam atendidas, mas não exagerem na elaboração de tantas coisas boas que as essenciais deixem de ser cumpridas. (…) Lembrem-se, não aumentem o trabalho a ser realizado: simplifiquem-no”. 7

Ano passado, na conferência geral, o élder M. Russell Ballard alertou-nos para o desgaste dos relacionamentos familiares resultante do excesso de tempo despendido em atividades sem proveito e de pouco valor espiritual. Pediu que tivéssemos cuidado para não complicarmos nosso serviço na Igreja “com detalhes e embelezamentos que ocupam muito tempo, custam muito caro e demandam muita energia. (…) A instrução que recebemos de magnificar nosso chamado não é um mandamento de embelezá-lo e complicá-lo. Inovar não significa necessariamente expandir. Muito freqüentemente significa simplificar. (…) A coisa mais importante em nossas responsabilidades na Igreja”, ensinou ele, “não são as estatísticas dos relatórios nem as reuniões realizadas, mas, sim, que as pessoas, individualmente — de quem cuidamos uma a uma como o Salvador fazia — sejam elevadas e incentivadas e, por fim, transformadas”. 8

As presidências de estaca e bispados devem exercer sua autoridade para eliminar as coisas excessivas e ineficazes às vezes pedidas aos membros da estaca ou ala. Os programas da Igreja devem concentrar-se no que é excelente (mais eficaz) para atingir seu real propósito, sem tomar indevidamente o tempo necessário para as famílias cumprirem seus deveres “determinados por Deus”.

Agora, uma advertência para as famílias: Suponhamos que os líderes da Igreja reduzam o tempo empregado em reuniões e atividades da Igreja para permitir que a família passe mais tempo junta. Esse objetivo só será alcançado se os membros da família—sobretudo os pais—se empenharem ativamente para fortalecer a união familiar e despender mais tempo dando atenção exclusiva a cada membro da família. Os esportes coletivos e diversões modernas como os videogames e a Internet já tomam tempo demais das crianças e dos jovens. Navegar na Internet não é melhor do que servir ao Senhor ou fortalecer a família. Alguns rapazes e moças estão faltando às atividades da Igreja ou reduzindo o tempo em família a fim de participar de equipes de futebol ou dedicar-se a outros entretenimentos. Alguns jovens estão se divertindo até a morte—a morte espiritual.

Alguns usos do tempo individual e familiar são muito bons, e outros, excelentes. Temos de renunciar a algumas coisas boas em prol de outras muito boas ou excelentes, pois elas desenvolvem a fé no Senhor Jesus Cristo e fortalecem a família.

IV.

Estes são outros exemplos de escolhas entre o que é bom, o que é muito bom e o que é excelente:

é bom pertencer à Igreja verdadeira do Pai Celestial, obedecer aos Seus mandamentos e cumprir todos os nossos deveres; mas para ser ainda melhor, excelente, precisamos fazer isso com amor e sem arrogância. Nas palavras de um belo hino, precisamos “coroar o bem [que fazemos] com a fraternidade” 9 , dando amor e atenção a todos a quem influenciarmos ao longo da vida.

Para nossas centenas de milhares de mestres familiares e professoras visitantes, sugiro que visitar as famílias sob nossa responsabilidade ébom; fazer uma visita breve, na qual ensinemos doutrinas e princípios é melhor, é muito bom; mas fazer a diferença na vida de quem visitamos é melhor ainda, é excelente. Esse mesmo desafio se aplica às muitas reuniões que realizamos: fazer uma reunião é bom, ensinar um princípio é melhor, é muito bom, mas fazer uma reunião que mude a vida dos participantes é excelente!

O ano de 2008 se aproxima e, com ele, o novo programa de estudo nos quóruns do Sacerdócio de Melquisedeque e na Sociedade de Socorro, renovo nossa advertência relativa ao uso dos manuais de Ensinamentos dos Presidentes da Igreja. Muitos anos de trabalho inspirado culminaram com a produção do volume de 2008 com ensinamentos de Joseph Smith, o profeta fundador desta dispensação. É uma obra de destaque entre os livros da Igreja. No passado, alguns professores faziam apenas uma breve menção a um capítulo dos manuais de Ensinamentos e, em seguida, davam uma aula de sua própria escolha. Mesmo que a aula fosse boa, tal prática não é aceitável. Um professor do evangelho é chamado para ensinar o assunto especificado nos materiais inspirados fornecidos. A melhor coisa que um professor pode fazer com o manual Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith é escolher e citar as palavras do Profeta sobre princípios especialmente voltados às necessidades dos alunos e, depois, promover um debate com a classe sobre a maneira de cada um aplicá-los à própria vida — Isso é excelente.

Presto testemunho do Pai Celestial, do qual somos filhos e cujo plano visa nos preparar para a “vida eterna, (…) o maior de todos os dons de Deus” (D&C 14:7; ver também D&C 76:51–59). Presto testemunho de Jesus Cristo, cuja Expiação torna isso possível. E testifico que somos guiados por profetas, nosso Presidente Gordon B. Hinckley e seus conselheiros, em nome de Jesus Cristo. Amém.

MÃES QUE SABEM!

Há uma influência e poder eternos na maternidade.


No Livro de Mórmon, lemos a respeito de dois mil rapazes exemplares que eram extremamente valorosos, corajosos e fortes. “Sim, eles eram homens íntegros e sóbrios, pois haviam aprendido a guardar os mandamentos de Deus e a andar retamente perante ele” (Alma 53:21). Aqueles fiéis rapazes prestaram homenagem às mães, dizendo: “Nossas mães [sabiam]” (Alma 56:48). Suponho que a mãe do capitão Morôni, a de Mosias, a de Mórmon e a dos demais grandes líderes também soubessem.

A responsabilidade que as mães têm, hoje em dia, exige mais vigilância que nunca. Mais do que em qualquer outra época da história do mundo, precisamos de mães que saibam. Os filhos nascem em um mundo no qual “não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Efésios 6:12) 1 . No entanto, as mães não precisam temer. Se souberem quem elas são, e quem é Deus, e se tiverem feito convênios com Ele, terão grande poder e uma influência positiva sobre os filhos.

Mães Que Sabem, Geram Filhos

As mães que sabem, querem gerar filhos. Embora em muitas culturas do mundo os filhos estejam começando a tornar-se “menos valorizados” 2 , na cultura do evangelho ainda acreditamos em ter filhos. Os profetas, videntes e reveladores que apoiamos nesta conferência declararam que “o mandamento dado por Deus a Seus filhos, de multiplicarem-se e encherem a Terra, continua em vigor”. 3 O Presidente Ezra Taft Benson ensinou que os jovens casais não devem adiar o momento de ter filhos e que “do ponto de vista eterno, são os filhos — não as posses, os cargos ou o prestígio — os nossos maiores tesouros”. 4

As filhas fiéis de Deus desejam ter filhos. Nas escrituras, lemos a respeito de Eva (ver Moisés 4:26), Sara (ver Gênesis 17:16), Rebeca (ver Gênesis 24:60) e Maria (ver 1 Néfi 11:13–20), que foram preordenadas para ser mães antes que seus filhos nascessem. Algumas mulheres não recebem a responsabilidade de gerar filhos na mortalidade, mas assim como Ana, do Velho Testamento, que orou fervorosamente por seu filho (ver I Samuel 1:11), a importância que as mulheres dão à maternidade nesta vida, bem como os atributos da maternidade, que alcançarem aqui, surgirão com elas na Ressurreição (ver D&C 130:18). As mulheres que desejam essa bênção na vida e se esforçam por alcançá-la têm a promessa de que a receberão por toda a eternidade, que é muitíssimo mais longa que a mortalidade. Há uma influência e poder eternos na maternidade.

Mães Que Sabem, Honram as Ordenanças e Convênios Sagrados

As mães que sabem, honram as ordenanças e convênios sagrados. Assisti a reuniões sacramentais em alguns dos lugares mais pobres da Terra, onde as mães vestiam, com muito esmero, sua melhor roupa de domingo, embora tivessem de caminhar muitos quilômetros por ruas empoeiradas e utilizar transportes públicos muito precários. Levavam as filhas vestidas com roupas limpas e bem passadas, com o cabelo bem penteado; os filhos vestiam camisa branca e gravata, com corte de cabelo no estilo missionário. Aquelas mães sabiam que estavam indo para uma reunião sacramental, em que convênios seriam renovados. Elas tinham feito convênios no templo e os honravam. Sabiam que, se não estivessem encaminhando seus filhos para o templo, não os estariam encaminhando para as metas eternas desejadas. Aquelas mães tinham influência e poder.

Mães Que Sabem, Nutrem

As mães que sabem, nutrem os filhos. Essa é sua tarefa e seu papel especial no plano de felicidade. 5 Nutrir significa cultivar, cuidar e fazer crescer. Portanto, as mães que sabem, criam o ambiente propício para o crescimento espiritual e material dentro do lar. Outra tradução para nutrir são os afazeres domésticos, que incluem cozinhar, lavar as roupas e a louça, manter o lar em ordem. É no lar que as mulheres têm maior poder e influência; portanto, as mulheres da Igreja devem ser as melhores donas-de-casa do mundo. Trabalhar ao lado das crianças nos afazeres domésticos cria oportunidades para ensinar e moldar qualidades que os filhos e filhas devem imitar. As mães que nutrem são instruídas, mas toda a instrução que as mulheres adquirem de nada vale, se não souberem fazer do lar um ambiente propício ao crescimento espiritual. O crescimento ocorre melhor numa “casa de ordem”, e as mulheres devem fazer da casa do Senhor o padrão para seu próprio lar (ver D&C 109). A nutrição exige organização, paciência, amor e trabalho. Ajudar no crescimento por meio da nutrição é um papel realmente poderoso e importante concedido às mulheres.

Mães Que Sabem, São Líderes

As mães que sabem, são líderes. Sendo parceiras iguais aos maridos, as mães lideram uma grande organização eterna. Essas mães planejam o futuro da sua organização. Fazem planos para a missão, o casamento no templo e os estudos dos filhos. Fazem planos para a oração, o estudo das escrituras e a reunião da noite familiar. As mães que sabem, criam seus filhos para que se tornem futuros líderes e são um grande exemplo de liderança. Não abandonam seus planos, cedendo às pressões sociais e modelos mundanos de criação dos filhos. Essas sábias mães que sabem são seletivas em relação às próprias atividades e envolvimentos, para que conservem suas forças limitadas de modo a exercer ao máximo sua influência nas coisas mais importantes.

Mães Que Sabem, São Professoras

As mães que sabem, são professoras. Como não são babás contratadas, nunca tiram folga. Uma amiga muito instruída me disse que não aprendeu nada na igreja que já não tivesse aprendido em casa. Seus pais usavam o estudo das escrituras em família, a oração familiar, a reunião da noite familiar, a hora da refeição e outras reuniões para ensinar. Pensem na força de nosso futuro exército de missionários, se as mães considerarem o lar um pré-centro de treinamento missionário. Desse modo, as doutrinas do evangelho ensinadas no CTM seriam uma revisão e não uma revelação. Isso é influência; isso é poder.

Mães Que Sabem, Permitem Menos

As mães que sabem, permitem menos. Permitem menos coisas que não dão frutos na eternidade. Permitem menos entretenimentos da mídia no lar, menos distrações, menos atividades que desviem a atenção dos filhos para longe de casa. As mães que sabem estão dispostas a desfrutar e consumir menos bens materiais para passar mais tempo com os filhos: mais tempo em refeições em família, mais tempo trabalhando juntos, mais tempo lendo juntos, mais tempo conversando, rindo, cantando e servindo de exemplo. Essas mães escolhem cuidadosamente suas atividades e não tentam fazer tudo. Sua meta é preparar a geração vindoura de filhos que levará o evangelho de Jesus Cristo ao mundo inteiro. Sua meta é preparar futuros pais e mães que edificarão o reino do Senhor nos próximos 50 anos. Isso é influência; isso é poder.

Mães Que Sabem, São Firmes e Inamovíveis

Quem vai preparar essa geração justa de filhos e filhas? As mulheres da Igreja farão isso — mulheres que conhecem e amam o Senhor e prestam testemunho Dele; mulheres que permanecem firmes e inamovíveis e não desistem nos momentos de dificuldade ou desânimo. Somos guiados por um inspirado profeta de Deus, que conclamou as mulheres da Igreja a “[permanecerem] firmes e inamovíveis quanto ao que é correto e adequado de acordo com o plano do Senhor”. 6 Pediu a elas que “[começassem] por sua própria casa”, 7 ensinando aos filhos os caminhos da verdade. As mulheres da Igreja devem ser as melhores do mundo na defesa, nutrição e proteção da família. Tenho plena certeza de que nossas mulheres farão isso, vindo a ser conhecidas como mulheres que “sabiam” (Alma 56:48). Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Presidente Geral da Sociedade de Socorro
Conferência Geral - novembro 2007

28 de setembro de 2011

BILHETE DOURADO

(...) As pessoas mais felizes que conheço, não são as que encontram seu bilhete dourado, mas sim, as que em meio a sua busca de objetivos dígnos descobrem e valorizam a beleza e a doçura dos momentos de cada dia.São as que fio por fio, tecem diariamente uma grande colcha de gratidão e admiração ao longo de toda a vida. Essas são as que são verdadeiramente felizes! Presidente Dieter F. UchtdorfSociedade de Socorro/CGeral/set/2011

27 de setembro de 2011

SOCIEDADE DE SOCORRO SETEMBRO 2011




MURAL CLARICE LISPECTOR - MUDE!

VOCÊ! OBRIGADA PELA VISITA

NA FORÇA DO SENHOR


Conferência Geral - outubro de 2004
ÉLDER DAVID A. BEDNAR
Do Quórum dos Doze Apóstolos


Na força do Senhor podemos fazer, perseverar e vencer todas as coisas.
ÉLDER DAVID A. BEDNARIrmãos e irmãs, meu coração está a ponto de transbordar de emoção, minha mente está girando, meus joelhos estão frágeis e trêmulos e as palavras são totalmente inadequadas para expressar eficazmente os sentimentos e pensamentos que gostaria de comunicar-lhes. Oro pela companhia do Espírito Santo e peço que Ele esteja comigo e com vocês, ao falar-lhes brevemente nesta manhã do Dia do Senhor.
Nas horas que se passaram desde que o Presidente Hinckley me fez este novo chamado para servir, segui a admoestação de Néfi de “[aplicar] todas as escrituras a nós” (1 Néfi 19:23) com uma intensidade e sentimento de propósito maiores do que nunca.
Ponderei o ensinamento de Paulo de que “(…) Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes”. (I Coríntios 1:27) Nesta manhã sinto grande consolo em saber que sou uma das coisas verdadeiramente fracas deste mundo.
Ponderei a instrução de Jacó contida no Livro de Mórmon:
“Portanto estudamos os profetas e temos muitas revelações e o espírito de profecia; e com todos estes testemunhos obtemos uma esperança e nossa fé se torna inabalável, de sorte que podemos verdadeiramente ordenar em nome de Jesus e as próprias árvores ou as montanhas ou as ondas do mar nos obedecem.
Não obstante, o Senhor Deus mostra-nos as nossas fraquezas a fim de que saibamos que é por sua graça e sua grande condescendência para com os filhos dos homens que temos poder para fazer estas coisas.” (Jacó 4:6–7)
Irmãos e irmãs, peço-lhes que prestem especial atenção à palavra graça, como é usada no versículo que acabei de ler. No Dicionário Bíblico aprendemos que a palavra “graça” freqüentemente é usada nas escrituras para denotar um fortalecimento ou um poder capacitador:
“A idéia principal da palavra são os meios divinos de ajuda ou fortalecimento concedidos pela abundante misericórdia e amor de Jesus Cristo.
(…) Também é pela graça do Senhor que as pessoas, por meio da fé na Expiação de Jesus Cristo e pelo arrependimento de seus pecados, recebem força e auxílio para fazerem boas obras que de outra forma não seriam capazes de realizar, se tivessem que fazê-lo por seus próprios meios. Essa graça é o poder que possibilita aos homens e mulheres alcançarem a vida eterna e a exaltação, depois de terem realizado o máximo que podiam com seu próprio esforço”. (Bible Dictionary, p. 697.)
Portanto, o aspecto capacitador e fortalecedor da Expiação ajuda-nos a ver e a fazer e a tornar-nos bons de maneiras que jamais teríamos reconhecido ou realizado com nossa limitada capacidade mortal. Testifico que o poder capacitador da Expiação do Salvador é real. Sem o poder fortalecedor da Expiação, eu não poderia estar diante de vocês nesta manhã.
Vocês conseguem sentir a graça e o poder fortalecedor de Cristo no testemunho de Amon? “Sim, sei que nada sou; quanto a minha força, sou débil; portanto não me vangloriarei de mim mesmo, mas gloriar-me-ei em meu Deus, porque com sua força posso fazer todas as coisas; sim, eis que fizemos muitos milagres nesta terra, pelo que louvaremos o seu nome para sempre”. (Alma 26:12) Verdadeiramente, irmão e irmãs, na força do Senhor podemos fazer, perseverar e vencer todas as coisas.
Ao sair do Edifício Administrativo da Igreja, depois de minha entrevista com o Presidente Hinckley, lembrei-me das palavras de Enoque:
“E tendo ouvido essas palavras, Enoque prostrou-se ante o Senhor e falou perante o Senhor, dizendo: Por que é que encontrei graça aos teus olhos? Sou apenas um menino e todo o povo odeia-me, pois sou lento no falar; por que razão sou teu servo?
E o Senhor disse a Enoque: Vai e faze o que te ordenei e homem algum te ferirá. Abre tua boca e ela encher-se-á e dar-te-ei palavras, pois toda carne está em minhas mãos; e farei o que me parecer adequado.” (Moisés 6:31–32)
Para todos nós que nos sentimos despreparados, sobrecarregados e inadequados para um novo chamado ou responsabilidade, a promessa do Senhor a Enoque também se aplica. A promessa era verdadeira nos dias de Enoque e continua sendo verdadeira hoje.
Na noite do dia 20 de junho de 2000, eu e vários colegas estávamos trabalhando até tarde nos escritórios executivos da instituição que na época se chamava Ricks College, em Rexburg, Idaho. Estávamos fazendo os preparativos finais para uma reunião histórica em nosso campus, na manhã seguinte, e o anúncio pelo Presidente Hinckley de que o Ricks College se tornaria uma instituição de ensino universitário e adotaria o nome de Universidade Brigham Young—Idaho. Como equipe administrativa, estávamos apenas começando a dar-nos conta da natureza monumental da responsabilidade e desafio que tínhamos à nossa frente.
Ao sairmos do edifício, naquela noite, um de meus colegas perguntou: “Presidente, o senhor está com medo?” Pelo que me recordo, respondi algo assim: “Se eu achasse que teríamos de realizar essa transição confiando apenas em nossa própria experiência e bom senso, então eu estaria aterrorizado. Mas teremos ajuda do céu. Por sabermos quem está no comando e que não estamos sozinhos, então, não, não estou assustado”. E nós que servimos na BYU–Idaho testificamos unanimemente que houve ajuda do céu; milagres aconteceram, revelações foram recebidas, portas se abriram, e fomos imensamente abençoados como indivíduos e como instituição.
Permitam-me agora expressar minha gratidão e apreço. Sou grato pelos meus progenitores, aqueles fiéis e firmes homens e mulheres a quem respeito e honro, e a quem devo tudo que tenho e que sou. Tenho grande amor e gratidão por minha mãe e meu pai, e pela mãe e pelo pai de minha esposa. Sou grato por seu amor, apoio, ensinamentos e força.
Minha esposa Susan é uma mulher virtuosa e uma mãe justa. Vocês rapidamente perceberão que a pureza e a bondade são muito evidentes no rosto dela. Eu tenho mais amor e gratidão por ela do que as palavras podem expressar. Agradeço a ela por ser a mulher que é, pelas lições que me ensinou, e pelo amor que compartilhamos.
Susan e eu fomos abençoados com três filhos muito firmes e valentes. Eu os amo e sou grato por eles. Nossa crescente família agora inclui duas dignas noras e três brilhantes, belas e charmosas netas. Quando nos reunimos, somos abençoados com um pequeno vislumbre do que será uma unidade familiar na eternidade.
Meus irmãos e irmãs, sou grato por vocês. Ao vê-los reunidos aqui no centro de conferências e visualizar todos vocês que estão reunidos em capelas espalhadas por todo o mundo, sinto-me abençoado por sua fidelidade e devoção ao Senhor. Quando vocês ergueram o braço em ângulo reto, no sábado, senti a grande influência de seu apoio fluir para minha alma de modo extraordinário. Poucos de vocês me conhecem, mas sabem de quem veio o chamado, e estão muito dispostos a apoiar-me. Expresso minha gratidão a vocês, e prometo dedicar-me de toda a alma e com toda a energia a esse trabalho sagrado.
Irei aonde o Senhor e os líderes da Igreja quiserem que eu vá, farei o que eles quiserem que eu faça, ensinarei o que eles quiserem que eu ensine, e me esforçarei para tornar-me o que devo e preciso me tornar. Na força do Senhor e por meio de Sua graça, sei que vocês e eu podemos ser abençoados para cumprir todas as coisas.
Como um dos mais fracos dos fracos, testifico que Deus vive. Testifico e presto testemunho de que Jesus é o Cristo. Ele é nosso Redentor e nosso Salvador, e Ele vive. Testifico que a plenitude do evangelho de Jesus Cristo e Sua Igreja verdadeira foram restaurados na Terra nestes últimos dias, por intermédio do Profeta Joseph Smith. As chaves e a autoridade do sacerdócio e as ordenanças de salvação estão novamente na Terra. Pelo poder desse sacerdócio as famílias podem realmente permanecer unidas para sempre. O Livro de Mórmon é a palavra de Deus e a pedra angular de nossa religião. Irmãos e irmãs, os céus não estão selados. Deus fala—para nós individualmente e para os líderes de Seu reino aqui na Terra nestes últimos dias. O Presidente Gordon B. Hinckley é o profeta do Senhor na Terra em nossos dias. Dessas coisas eu testifico e declaro meu testemunho no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.

ESCOLHAM HOJE!

PRESIDENTE THOMAS S. MONSON 
 
Conferência Geral outubro de 2004
As escolhas que fazemos determinam nosso destino.
PRESIDENTE THOMAS S. MONSONMeus queridos irmãos e irmãs, tanto os que estão ao alcance de minha vista, quanto os reunidos por todo o mundo, peço sua fé e orações ao atender à designação de dirigir-me a vocês e pelo privilégio de fazê-lo. Em primeiro lugar, porém, gostaria de dar minhas boas-vindas ao Élder Dieter Uchtdorf e ao Élder David Bednar, nossos novos membros do Quórum dos Doze Apóstolos.
Tenho pensado, nos últimos tempos, a respeito de escolhas e de suas conseqüências. É dito que os portais da história se movem por meio de pequenas dobradiças, e o mesmo ocorre com a vida das pessoas. As escolhas que fazemos determinam nosso destino.
Josué na antiguidade declarou: Escolhei hoje a quem sirvais; (…) porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”1
Todos nós principiamos uma jornada vital e impressionante quando deixamos o mundo espiritual e entramos neste estágio freqüentemente desafiador, chamado mortalidade. Trazemos conosco este grande dom de Deus—o nosso arbítrio. O Profeta Wilford Woodruff disse: “Deus deu a todos os Seus filhos (…) o arbítrio individual. (…) [Nós o possuíamos] no céu dos céus antes de o mundo existir, e o Senhor preservou-o e defendeu-o contra a agressão de Lúcifer (…). Por virtude desse arbítrio, você, eu e toda a humanidade somos seres responsáveis, responsáveis pelas escolhas que fazemos, a vida que temos e os atos que praticamos”.2
Brigham Young disse: “Todos devem [usar esse arbítrio] para alcançar a exaltação [no] reino [de Deus]; uma vez que têm o poder de escolha, devem exercer esse poder”.3
As escrituras nos dizem que somos livres para agir por nós mesmos, “para [escolhermos] o caminho da morte eterna ou o caminho da vida eterna”.4
Um hino bem conhecido oferece inspiração nas escolhas que fazemos:
Faze o bem, escolhendo o que é certo.
Quando apresentar-se a ocasião.
O Espírito Santo estará perto
Para inspirar-te a decisão.
Faze o bem, com a paz na consciência
Faze o bem, de todo o coração.
Faze o bem, e com toda a diligência,
Busca alcançar a exaltação.5
Nós temos um guia para ajudar-nos a escolher o certo e evitar desvios perigosos? Pendurada em uma parede do meu escritório, bem em frente à minha escrivaninha, encontra-se uma bela gravura do Salvador, pintada por Heinrich Hofmann. Eu gosto imensamente desse quadro que tenho desde a época em que eu era um bispo com 22 anos de idade, e que carrego comigo para onde quer que eu receba a designação de servir. Tento espelhar a minha vida na do Mestre. Sempre que tenho uma decisão difícil a tomar, olho para aquela gravura e me pergunto: “O que Ele faria?” Então tento fazer o mesmo. Nunca agiremos de maneira errada quando escolhemos seguir o Salvador.
Algumas escolhas podem parecer mais importantes do que outras, mas nenhuma escolha é insignificante.
Há alguns anos segurei em minha mão um guia, que, se seguido, jamais deixará de ajudar-nos a fazer escolhas corretas. Era um livro de escritura que habitualmente chamamos de combinação tríplice e que contém o Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e A Pérola de Grande Valor. Esse livro foi um presente de um pai amoroso a uma filha preciosa que seguiu cuidadosamente seu conselho. Em uma página em branco no início do livro, o pai escrevera de próprio punho, estas palavras inspiradas:
“Para minha querida Maurine,
Para que você tenha um padrão constante pelo qual julgar entre a verdade e os erros das filosofias dos homens, e assim cresça em espiritualidade à medida que multiplica seu conhecimento, dou-lhe este livro sagrado para que o leia com freqüência e guarde-o com um carinho inestimável por toda a sua vida.
Amorosamente, seu pai,
Harold B. Lee”
Como membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, nossa meta é a de alcançar a glória celestial.
Não devemos ser indecisos como Alice, no clássico de Lewis Carroll, As Aventuras de Alice no País das Maravilhas. Vocês se recordam que ela chega a uma encruzilhada, com dois caminhos diante dela, ambos se estendendo para algum lugar, mas em direções opostas. Ela se vê diante do Gato Risonho, a quem Alice pergunta: “Que caminho devo seguir?”
O gato responde: “Isso depende do lugar aonde quer chegar. Se não sabe para onde quer ir, então pouco importa o caminho que irá seguir!”6
Ao contrário de Alice, todos sabemos para onde queremos ir, e o caminho que queremos tomar importa, porque o caminho que tomamos nesta vida, certamente nos levará para a senda que tomaremos a seguir.
Cada um de nós deve lembrar-se de que é um filho ou uma filha de Deus, dotado com fé, agraciado com coragem e guiado pela oração. Nosso destino eterno está diante de nós. O Apóstolo Paulo fala a nós hoje como falou a Timóteo há muitos e muitos anos: “Não desprezes o dom que há em ti”. “Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado.”7
Às vezes, muitos de nós deixam que o inimigo do progresso—que é o culpado pelo “fracasso pessoal”—reduza nossas aspirações, sufoque nossos sonhos, tolde nossa visão e prejudique nossa vida. A voz do inimigo sussurra aos nossos ouvidos: “Você não consegue fazê-lo”. “Você é jovem demais”. “Você é velho demais”. “Você não é ninguém”. É quando nos lembramos que fomos criados à imagem de Deus. Refletir sobre essa verdade produz um profundo senso de força e poder.
Tive o privilégio de ter um contato mais pessoal com o Presidente J. Reuben Clark, Jr., que serviu durante muitos anos como membro da Primeira Presidência. Ao auxiliá-lo na preparação para imprimir seus livros magníficos, aprendi lições inestimáveis. Certo dia, enquanto triste e pensativo, o Presidente Clark pediu-me se poderia conseguir a impressão de uma gravura para ser emoldurada. A gravura retratava os leões de Persépolis guardando as ruínas de uma glória destruída. O Presidente Clark queria que fossem impressas—entre os arcos em ruína de uma civilização que não mais existia—várias de suas escrituras favoritas, selecionadas de seu extenso conhecimento dos escritos sagrados. Senti que vocês gostariam de saber quais foram suas escolhidas. Eram trêsde Eclesiastes e uma do evangelho de João.
A primeira, de Eclesiastes: “Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem”.8
Segunda: “Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade”.9
Terceira, de João: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”10
Um profeta antigo, Morôni, escrevendo no que é agora o Livro de Mórmon, aconselhou: “E agora vos exorto a que busqueis esse Jesus sobre quem os profetas e apóstolos escreveram, a fim de que a graça de Deus, o Pai, e também do Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo, que dá testemunho deles, esteja e permaneça em vós eternamente”.11
O Presidente David O. McKay aconselhou: “‘A maior batalha da vida é travada dentro das câmaras silenciosas de sua própria alma.’ (…) É uma boa coisa sentar-se e refletir—chegar a um entendimento consigo mesmo e decidir, naquele momento tranqüilo, que seu dever é para com sua família, sua Igreja, seu país (…) e seu semelhante”.12
O menino profeta Joseph Smith procurou ajuda divina ao entrar no bosque que, naquela hora, tornou-se sagrado. Será que precisamos de uma força parecida? Será que cada um de nós não precisa procurar seu “Bosque Sagrado”? Esse bosque é um lugar onde a comunicação entre Deus e o homem possa ocorrer sem interferência, sem interrupção e sem perturbação.
No Novo Testamento aprendemos que é impossível ter uma atitude correta em relação a Cristo, se não tivermos uma atitude altruísta em relação aos homens. No livro de Mateus, Jesus ensinou: “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”.13
Quando o Salvador procurou um homem de fé, Ele não o selecionou dentre a multidão de hipócritas que eram encontrados regularmente na sinagoga. Ao contrário, Ele o chamou dentre os pescadores de Cafarnaum. Enquanto ensinava junto ao lago, viu dois barcos parados à sua margem. Ele entrou em um deles e pediu que o proprietário o afastasse um pouco da terra para não ser apertado pela multidão. Quando acabou de falar, Ele disse a Simão: “Lançai vossas redes para pescar”.
Simão respondeu: “Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede.
E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes (…).
E vendo isto Simão Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador.”14
Ao que lhe foi respondido: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens”.15
Simão, o pescador, recebeu seu chamado. O indeciso, inculto, incrédulo e impulsivo Simão, não encontrou, na maneira do Senhor, uma estrada tranqüila nem um caminho livre da dor. Ele ouviria a repreensão: “Homem de pouca fé”.16Ainda assim, quando o Mestre perguntou-lhe: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.17
Simão, o homem indeciso, tornou-se Pedro, o Apóstolo de fé. Pedro fizera sua escolha.
Quando o Salvador precisava escolher um missionário dedicado e com autoridade, Ele o encontrou não entre Seus defensores, mas em meio a Seus adversários. A experiência da estrada de Damasco mudou Saulo. A seu respeito o Senhor declarou: “Este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome adiante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel”.18
Saulo, o perseguidor, tornou-se Paulo, o prosélito. Paulo fizera sua escolha.
Atos de serviço altruísta são realizados diariamente por inúmeros membros da Igreja. Há muitos que são realizados liberalmente, sem propaganda ou ostentação, mas com um amor sereno e terno cuidado. Deixem-me compartilhar com vocês o exemplo de alguém que fez essa simples, embora profunda, escolha de servir.
Há alguns anos, a irmã Monson e eu estávamos na cidade de Toronto, onde já havíamos morado quando eu era presidente de missão. Olive Davies, a esposa do primeiro presidente de estaca de Toronto, estava gravemente enferma e faleceria em breve. Sua doença fez com que ela tivesse que sair de sua casa tão querida, e ser internada em um hospital que lhe daria os cuidados de que precisava. Sua filha única vivia com a própria família no oeste canadense.
Tentei consolar a irmã Davies, mas ela já tinha a seu lado o consolo que ansiava ter. Um neto valoroso estava sentado à cabeceira da avó. Fiquei sabendo que ele passara a maior parte do verão fora da universidade, para poder cuidar das necessidades da avó. Eu disse a ele: “Shawn, você nunca se arrependerá de sua decisão. Sua avó sente que você é uma dádiva divina, uma resposta às suas orações”.
Ele replicou: “Resolvi vir porque eu a amo e sei que isso é o que meu Pai Celestial quer que eu faça”.
Tínhamos lágrimas nos olhos. A avó contou-nos o quanto gostava que o neto a ajudasse e que o apresentava a cada funcionário e a cada paciente do hospital. De mãos dadas, eles caminhavam pelos corredores e à noite ele ficava ao lado dela.
Olive Davies partiu para receber sua recompensa, para reunir-se ao marido fiel e para juntos, prosseguirem em uma jornada eterna. No coração do neto ficarão para sempre gravadas estas palavras: “Faze o bem, escolhendo o que é certo, quando apresentar-se a ocasião”.19 O Espírito Santo estará perto para inspirá-lo em sua decisão.
Essas são as pedras do alicerce na construção de um templo pessoal. Como aconselhou o Apóstolo Paulo: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”20
Gostaria de deixar com vocês uma fórmula simples, porém de grande projeção para guiá-los através das escolhas da vida:
Preencham sua mente com a verdade.
Preencham seu coração com amor.
Preencham sua vida com serviço;
Ao fazê-lo, que possamos um dia ouvir a calorosa aprovação de nosso Senhor e Salvador: “Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”.21
Em nome de Jesus Cristo. Amém.

NOTAS

1. Josué 24:15.
2. Brian H. Stuy, Collected Discourses Delivered by President Wilford Woodruff, His Two Counselors, the Twelve Apostles, and Others, 5 vols. (1987–1992), vol. 1, p. 341.
3. Brigham Young, Discourses of Brigham Young, sel. John A. Widtsoe, 1954, p. 54.
4. 2 Néfi 10:23.
5. Joseph L. Towsend, 1849–1942, Hinos, no 148.
6. Adaptado de Lewis Carroll, Alice’s Adventures in Wonderland (As Aventuras de Alice no País das Maravilhas), 1992, p. 76.
7. I Timóteo 4:14; 6:20.
8. Eclesiastes 12:13.
9. Eclesiastes 1:2.
10. João 17:3.
11. Éter 12:41.
12. Conference Report, abril de 1967, pp. 84–85; ou Improvement Era, junho de 1967, p. 80.
13. Mateus 25:40.
14. Lucas 5:4–6, 8.
15. Mateus 4:19.
16. Mateus 14:31.
17. Mateus 16:15, 16.
18. Atos 9:15.
19. Hinos, nº 148.
20. I Coríntios 3:16.
21. Mateus 25:23.

METAS E AÇÕES







Um Mal Trágico entre Nós


PRESIDENTE GORDON B. HINCKLEY 

Conferência Geral - outubro de 2004
[A pornografia] é como uma tempestade furiosa, destruindo pessoas e famílias, arruinando totalmente o que era sadio e belo.
PRESIDENTE GORDON B. HINCKLEYMeus queridos irmãos, é muito bom estar com vocês nesta imensa reunião do sacerdócio. Suponho que esta seja a maior reunião do sacerdócio que já foi realizada. Que contraste com a ocasião descrita por Wilford Woodruff quando todo o sacerdócio do mundo inteiro estava reunido em uma sala, em Kirtland, Ohio, para receber instruções do Profeta Joseph.
Ouvimos excelentes conselhos nesta noite e recomendo-os a vocês.
Ao proferir este discurso de encerramento, com hesitação abordo novamente um assunto sobre o qual já falei antes. Faço isso no espírito das palavras de Alma, que disse: “Esta é a minha glória, que talvez possa ser um instrumento nas mãos de Deus para trazer alguma alma ao arrependimento”. (Alma 29:9)
É nesse espírito que falo a vocês nesta noite. O que tenho a dizer-lhes não é novo. Já falei sobre isso antes. Na edição de setembro das revistas Ensign e A Liahona há um discurso que fiz há alguns anos sobre o mesmo assunto. O irmão Oaks mencionou a questão em seu discurso.
Embora o tema de meu discurso fosse um problema naquela época, trata-se de um problema muito mais sério agora. Ele está se tornando cada vez pior. É como uma tempestade furiosa, destruindo pessoas e famílias, arruinando totalmente o que era sadio e belo. Refiro-me à pornografia em todas as suas manifestações.
Faço isso por causa das cartas que tenho recebido de muitas esposas desconsoladas.
Gostaria de ler alguns trechos de uma dessas cartas que recebi há poucos dias. Faço isso com a permissão da autora. Omiti tudo que possa identificar as pessoas envolvidas. Tomei a liberdade de fazer umas poucas modificações para melhorar a clareza e a fluência.
A carta dizia:
“Caro Presidente Hinckley,
Meu marido, com quem estava casada há 35 anos, faleceu recentemente. (…) Ele procurou nosso bom bispo o mais rápido que pôde depois de sua última cirurgia. Depois disso, ele me procurou naquela mesma noite para dizer-me que era viciado em pornografia. Ele precisava que eu o perdoasse antes de ele morrer. Disse também que tinha se cansado de viver uma vida dupla. [Ele serviu em muitos] chamados importantes na Igreja, embora soubesse que [ao mesmo tempo] era escravo desse ‘outro mestre’.
Fiquei atordoada e magoada, senti-me traída e violentada. Não pude prometer-lhe que o perdoaria naquele momento, mas pedi algum tempo. (…) Refleti sobre minha vida de casada e percebi como a pornografia tinha (…) influenciado negativamente o nosso casamento desde o início. Estávamos casados havia apenas alguns meses quando ele trouxe para casa uma revista [pornográfica]. Tranquei-o fora do carro, porque me senti magoada e zangada. (…)
Por muitos anos, em nosso casamento, (…) ele foi extremamente cruel em muitas de suas exigências. Eu nunca era suficientemente boa para ele. (…) Senti-me incrivelmente desanimada a ponto de entrar em depressão profunda. (…) Sei agora que eu estava sendo comparada à mais recente ‘rainha pornô’.
Procuramos aconselhamento profissional, certa vez, (…) e meu marido começou a me humilhar com suas críticas e o desprezo que sentia por mim. (…)
Nem consegui entrar no carro com ele depois daquilo, mas fiquei caminhando pela cidade (…) por várias horas, chegando a pensar em suicídio. [Pensei comigo mesma:] Por que devo seguir adiante se isso é tudo que meu ‘companheiro eterno’ sente por mim?
Continuei em frente, mas ergui um escudo protetor a meu redor. Eu tinha outras razões para viver além de meu marido. Tive alegria com meus filhos, e nos projetos e realizações que consegui fazer absolutamente sozinha. (…)
Depois de sua ‘confissão de leito de morte’ e [depois de algum tempo] para que eu ponderasse minha vida, gritei com ele, dizendo: ‘Você não se dá conta do que fez?’ (…) Eu lhe disse que eu tinha trazido um coração puro para o nosso casamento, conservando-o puro durante o casamento, e pretendia mantê-lo puro para sempre. Por que ele não conseguiu fazer o mesmo por mim? Tudo que eu sempre quis foi sentir-me amada e ser tratada com o mínimo de gentileza (…) em vez de ser tratada como algum tipo de objeto. (…)
Tudo que me resta agora é prantear o falecimento dele, mas também prantear um relacionamento que poderia ter sido [muito belo, mas não foi]. (…)
Por favor, advirta os irmãos (e as irmãs). A pornografia não é uma festa sedutora para os olhos que proporciona um momentâneo arroubo de excitação. [Na verdade], ela tem o efeito de ferir o íntimo do coração e da alma, sufocando a vida de um relacionamento que deveria ser sagrado, magoando profundamente aqueles que você mais deveria amar”.
Ela então assina a carta.
Que história triste e trágica! Omiti alguns detalhes, mas li o suficiente para que vocês percebam a intensidade dos sentimentos dessa irmã. E quanto ao marido? Ele teve uma morte dolorosa de câncer, e suas últimas palavras foram a confissão de uma vida enredada no pecado.
Isso é pecado, sim. É diabólico. É absolutamente não condizente com o espírito do evangelho, com o testemunho pessoal das coisas de Deus e com a vida de alguém que foi ordenado ao santo sacerdócio.
Essa não foi a única carta que recebi. Houve um número suficiente delas para me convencer de que esse é um problema muito sério em nosso meio. Ele provém de muitas fontes e se expressa de várias maneiras. Ele aumentou muito agora por causa da Internet. A Internet está à disposição não apenas dos adultos, mas também dos jovens.
Fui informado de que a pornografia se tornou uma indústria de 57 bilhões de dólares no mundo inteiro. Desse valor, doze bilhões de dólares provêm dos Estados Unidos, por causa de “homens conspiradores” (ver D&C 89:4) que buscam obter riqueza às custas dos simplórios. Foi relatado que ela produz uma renda maior nos Estados Unidos do que todas as franquias profissionais de futebol americano, beisebol e basquete ou a renda combinada das emissoras ABC, CBS e NBC. (Internet Pornography Statistics: 2003; Internet, http://www.healthymind.com/5-port-stats.html.)
Ela rouba tempo e talentos de funcionários nos locais de trabalho. “20% dos homens admitem que acessam pornografia no trabalho. 13% das mulheres fazem o mesmo. Dez por cento dos adultos admitem terem um vício sexual na Internet”. (Internet Pornography Statistics: 2003) Esses são os que admitem isso, mas na verdade o número pode ser muito maior.
National Coalition for the Protection of Children and Families [Aliança Nacional de Proteção às Crianças e às Famílias] declara que “aproximadamente 40 milhões de pessoas nos Estados Unidos estão sexualmente envolvidas com a Internet. (…)
Uma em cada cinco crianças de 10 a 17 anos já recebeu um convite sexual pela Internet.
Três milhões de visitantes dos sites adultos em setembro de 2000 tinham 17 anos ou menos.
O sexo é o tópico mais procurado na Internet”. (NCPCE Online, “Current Statistics,” Internet, http://www.nationalcoalition.org/stat.html)
Eu poderia prosseguir, mas vocês também já conhecem o suficiente a respeito da gravidade do problema. Basta dizer que todos os envolvidos se tornam vítimas. Crianças são exploradas e sofrem um dano gravíssimo em sua vida. A mente dos jovens se torna distorcida com conceitos falsos. A exposição contínua leva a um vício que é quase impossível de ser vencido. Um número muito grande de homens não consegue abandoná-lo sozinhos. Sua energia e interesse são consumidos nessa busca sem saída de coisas grosseiras e imundas.
A desculpa dada é a de que essas coisas são difíceis de evitar, elas estão ao alcance dos dedos e não há escapatória.
Suponham que haja uma tempestade de neve rugindo e uivando a seu redor. Vocês não conseguirão pará-la. Mas podem vestir-se adequadamente e procurar abrigo para que a tempestade não os afete.
Da mesma forma, embora a Internet esteja repleta de material imundo, vocês não precisam ver essas coisas. Podem recolher-se ao abrigo do evangelho e de seus ensinamentos de limpeza, virtude e pureza de vida.
Sei que estou falando de modo muito direto e claro. Faço isso porque a Internet tornou a pornografia mais amplamente acessível, além do que, está disponível nos DVDs e vídeos, está na televisão e nas bancas de revistas. Ela conduz a fantasias que são destrutivas para o respeito próprio. Conduz a relacionamentos ilícitos, freqüentemente a doenças e a atividades criminais abusivas.
Irmãos, podemos fazer melhor que isso. “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus”. (Mateus 5:8)
Alguém poderia desejar uma bênção maior do que essa? O nobre caminho da decência, da autodisciplina, da vida sadia é o caminho dos homens, tanto jovens quanto idosos, que possuem o sacerdócio de Deus. Para os jovens, deixo esta pergunta: “Podem imaginar João Batista, que restaurou o sacerdócio que vocês possuem, envolvido em práticas como essas?” Para vocês, homens: “Podem imaginar Pedro, Tiago e João, Apóstolos de nosso Senhor, envolvidos nisso?”
É claro que não. Irmãos, chegou a hora, para todos aqueles que estão envolvidos, de se livrarem desse mal, de se erguerem acima dessa coisa iníqua, de “confiar em Deus para que vivas”. (Alma 37:47) Não temos que ver revistas iníquas. Não temos que ler livros repletos de imundície. Não temos que assistir programas de televisão que estejam abaixo dos padrões sadios. Não temos que alugar filmes que mostrem coisas imundas. Não temos que nos sentar diante do computador e brincar com material pornográfico encontrado na Internet.
Repito, podemos fazer melhor que isso. Precisamos fazer melhor do que isso. Somos homens do sacerdócio. Esse é um dom extremamente sagrado e maravilhoso, que vale muito mais do que toda a escória do mundo. No entanto, será amém para a eficácia do sacerdócio daquele que se envolver na prática da busca de material pornográfico.
Se houver alguém que me ouve que esteja fazendo isso, suplique ao Senhor do fundo de sua alma para que Ele remova de você o vício que o escraviza. E tenha a coragem de procurar a amorosa orientação de seu bispo e, se necessário, o conselho de profissionais atenciosos.
Todos os que estão nas garras desse vício, ajoelhem-se na privacidade de seu quarto e supliquem a ajuda do Senhor para livrá-los desse monstro maligno. Caso contrário, essa mancha imunda continuará com vocês nesta vida e até mesmo na eternidade. Jacó, o irmão de Néfi, ensinou: “E acontecerá que quando todos os homens tiverem passado desta primeira morte para a vida, tornando-se imortais (…) os justos ainda serão justos e os imundos ainda serão imundos”. (2 Néfi 9: 15–16)
O Presidente Joseph F. Smith, em sua visão da visita do Salvador aos espíritos daqueles que haviam falecido, viu que “aos iníquos, porém, não se dirigiu; e entre os ímpios e os impenitentes, que se corromperam enquanto estavam na carne, sua voz não se fez ouvir”. (D&C 138:20)
Meus irmãos, não quero ser negativo. Sou otimista por natureza. Mas em assuntos como este sou realista. Se alguém estiver envolvido nesse comportamento, agora é o momento de mudar. Que esta seja sua hora de decisão. Volte-se para um caminho melhor.
O Senhor disse: “(…) que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente; então tua confiança se fortalecerá na presença de Deus; e a doutrina do sacerdócio destilar-se-á sobre tua alma como o orvalho do céu.
O Espírito Santo será teu companheiro constante, e teu cetro, um cetro imutável de retidão e verdade; e teu domínio será um domínio eterno e, sem ser compelido, fluirá para ti eternamente”. (D&C 121:45–46)
O que mais um homem poderia desejar? Essas bênçãos sublimes são prometidas aos que caminham com virtude perante o Senhor e perante todos os homens.
Que maravilhosos são os caminhos de nosso Senhor. Quão gloriosas são Suas promessas! Quando tentados, vocês podem substituir os pensamentos malignos pelos pensamentos Dele e Seus ensinamentos. Ele disse: “E se vossos olhos estiverem fitos em minha glória, todo o vosso corpo se encherá de luz e em vós não haverá trevas; e o corpo que é cheio de luz compreende todas as coisas.
Portanto santificai-vos, para que vossa mente concentre-se em Deus; e dias virão em que o vereis, porque ele vos desvendará sua face. (…)” (D&C 88:67–68)
Para vocês, diáconos, mestres e sacerdotes que estão conosco nesta noite, vocês, jovens maravilhosos que lidam com o sacramento, o Senhor disse: “Sede puros, vós que portais os vasos do Senhor”. (D&C 133:5)
Para todos os portadores do sacerdócio a revelação é clara e inequívoca: “(…) Os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu e que os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão”. (D&C 121:36)
Sei, meus irmãos, que a maioria de vocês não está afligida por esse mal. Peço-lhes perdão por ocupar seu tempo com esse assunto. Mas se você for um presidente de estaca ou bispo, um presidente de distrito ou ramo, pode muito bem ter que ajudar aqueles que estão afetados. Que o Senhor lhes conceda sabedoria, orientação, inspiração e amor por aqueles que tanto necessitam.
E para todos vocês, jovens e idosos, que não estão envolvidos, cumprimento-os e deixo-lhes minha bênção. Quão bela é a vida que segue o padrão dos ensinamentos do evangelho Daquele que foi sem pecado. Um homem assim caminha com o rosto erguido sob a luz do sol da virtude e da força.
Que as bênçãos do céu estejam com vocês, meus queridos irmãos. Que estendamos a mão para todos os que precisam de ajuda, é minha oração, no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.
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