27 de setembro de 2011

ESCOLHAM HOJE!

PRESIDENTE THOMAS S. MONSON 
 
Conferência Geral outubro de 2004
As escolhas que fazemos determinam nosso destino.
PRESIDENTE THOMAS S. MONSONMeus queridos irmãos e irmãs, tanto os que estão ao alcance de minha vista, quanto os reunidos por todo o mundo, peço sua fé e orações ao atender à designação de dirigir-me a vocês e pelo privilégio de fazê-lo. Em primeiro lugar, porém, gostaria de dar minhas boas-vindas ao Élder Dieter Uchtdorf e ao Élder David Bednar, nossos novos membros do Quórum dos Doze Apóstolos.
Tenho pensado, nos últimos tempos, a respeito de escolhas e de suas conseqüências. É dito que os portais da história se movem por meio de pequenas dobradiças, e o mesmo ocorre com a vida das pessoas. As escolhas que fazemos determinam nosso destino.
Josué na antiguidade declarou: Escolhei hoje a quem sirvais; (…) porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”1
Todos nós principiamos uma jornada vital e impressionante quando deixamos o mundo espiritual e entramos neste estágio freqüentemente desafiador, chamado mortalidade. Trazemos conosco este grande dom de Deus—o nosso arbítrio. O Profeta Wilford Woodruff disse: “Deus deu a todos os Seus filhos (…) o arbítrio individual. (…) [Nós o possuíamos] no céu dos céus antes de o mundo existir, e o Senhor preservou-o e defendeu-o contra a agressão de Lúcifer (…). Por virtude desse arbítrio, você, eu e toda a humanidade somos seres responsáveis, responsáveis pelas escolhas que fazemos, a vida que temos e os atos que praticamos”.2
Brigham Young disse: “Todos devem [usar esse arbítrio] para alcançar a exaltação [no] reino [de Deus]; uma vez que têm o poder de escolha, devem exercer esse poder”.3
As escrituras nos dizem que somos livres para agir por nós mesmos, “para [escolhermos] o caminho da morte eterna ou o caminho da vida eterna”.4
Um hino bem conhecido oferece inspiração nas escolhas que fazemos:
Faze o bem, escolhendo o que é certo.
Quando apresentar-se a ocasião.
O Espírito Santo estará perto
Para inspirar-te a decisão.
Faze o bem, com a paz na consciência
Faze o bem, de todo o coração.
Faze o bem, e com toda a diligência,
Busca alcançar a exaltação.5
Nós temos um guia para ajudar-nos a escolher o certo e evitar desvios perigosos? Pendurada em uma parede do meu escritório, bem em frente à minha escrivaninha, encontra-se uma bela gravura do Salvador, pintada por Heinrich Hofmann. Eu gosto imensamente desse quadro que tenho desde a época em que eu era um bispo com 22 anos de idade, e que carrego comigo para onde quer que eu receba a designação de servir. Tento espelhar a minha vida na do Mestre. Sempre que tenho uma decisão difícil a tomar, olho para aquela gravura e me pergunto: “O que Ele faria?” Então tento fazer o mesmo. Nunca agiremos de maneira errada quando escolhemos seguir o Salvador.
Algumas escolhas podem parecer mais importantes do que outras, mas nenhuma escolha é insignificante.
Há alguns anos segurei em minha mão um guia, que, se seguido, jamais deixará de ajudar-nos a fazer escolhas corretas. Era um livro de escritura que habitualmente chamamos de combinação tríplice e que contém o Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e A Pérola de Grande Valor. Esse livro foi um presente de um pai amoroso a uma filha preciosa que seguiu cuidadosamente seu conselho. Em uma página em branco no início do livro, o pai escrevera de próprio punho, estas palavras inspiradas:
“Para minha querida Maurine,
Para que você tenha um padrão constante pelo qual julgar entre a verdade e os erros das filosofias dos homens, e assim cresça em espiritualidade à medida que multiplica seu conhecimento, dou-lhe este livro sagrado para que o leia com freqüência e guarde-o com um carinho inestimável por toda a sua vida.
Amorosamente, seu pai,
Harold B. Lee”
Como membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, nossa meta é a de alcançar a glória celestial.
Não devemos ser indecisos como Alice, no clássico de Lewis Carroll, As Aventuras de Alice no País das Maravilhas. Vocês se recordam que ela chega a uma encruzilhada, com dois caminhos diante dela, ambos se estendendo para algum lugar, mas em direções opostas. Ela se vê diante do Gato Risonho, a quem Alice pergunta: “Que caminho devo seguir?”
O gato responde: “Isso depende do lugar aonde quer chegar. Se não sabe para onde quer ir, então pouco importa o caminho que irá seguir!”6
Ao contrário de Alice, todos sabemos para onde queremos ir, e o caminho que queremos tomar importa, porque o caminho que tomamos nesta vida, certamente nos levará para a senda que tomaremos a seguir.
Cada um de nós deve lembrar-se de que é um filho ou uma filha de Deus, dotado com fé, agraciado com coragem e guiado pela oração. Nosso destino eterno está diante de nós. O Apóstolo Paulo fala a nós hoje como falou a Timóteo há muitos e muitos anos: “Não desprezes o dom que há em ti”. “Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado.”7
Às vezes, muitos de nós deixam que o inimigo do progresso—que é o culpado pelo “fracasso pessoal”—reduza nossas aspirações, sufoque nossos sonhos, tolde nossa visão e prejudique nossa vida. A voz do inimigo sussurra aos nossos ouvidos: “Você não consegue fazê-lo”. “Você é jovem demais”. “Você é velho demais”. “Você não é ninguém”. É quando nos lembramos que fomos criados à imagem de Deus. Refletir sobre essa verdade produz um profundo senso de força e poder.
Tive o privilégio de ter um contato mais pessoal com o Presidente J. Reuben Clark, Jr., que serviu durante muitos anos como membro da Primeira Presidência. Ao auxiliá-lo na preparação para imprimir seus livros magníficos, aprendi lições inestimáveis. Certo dia, enquanto triste e pensativo, o Presidente Clark pediu-me se poderia conseguir a impressão de uma gravura para ser emoldurada. A gravura retratava os leões de Persépolis guardando as ruínas de uma glória destruída. O Presidente Clark queria que fossem impressas—entre os arcos em ruína de uma civilização que não mais existia—várias de suas escrituras favoritas, selecionadas de seu extenso conhecimento dos escritos sagrados. Senti que vocês gostariam de saber quais foram suas escolhidas. Eram trêsde Eclesiastes e uma do evangelho de João.
A primeira, de Eclesiastes: “Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem”.8
Segunda: “Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade”.9
Terceira, de João: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”10
Um profeta antigo, Morôni, escrevendo no que é agora o Livro de Mórmon, aconselhou: “E agora vos exorto a que busqueis esse Jesus sobre quem os profetas e apóstolos escreveram, a fim de que a graça de Deus, o Pai, e também do Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo, que dá testemunho deles, esteja e permaneça em vós eternamente”.11
O Presidente David O. McKay aconselhou: “‘A maior batalha da vida é travada dentro das câmaras silenciosas de sua própria alma.’ (…) É uma boa coisa sentar-se e refletir—chegar a um entendimento consigo mesmo e decidir, naquele momento tranqüilo, que seu dever é para com sua família, sua Igreja, seu país (…) e seu semelhante”.12
O menino profeta Joseph Smith procurou ajuda divina ao entrar no bosque que, naquela hora, tornou-se sagrado. Será que precisamos de uma força parecida? Será que cada um de nós não precisa procurar seu “Bosque Sagrado”? Esse bosque é um lugar onde a comunicação entre Deus e o homem possa ocorrer sem interferência, sem interrupção e sem perturbação.
No Novo Testamento aprendemos que é impossível ter uma atitude correta em relação a Cristo, se não tivermos uma atitude altruísta em relação aos homens. No livro de Mateus, Jesus ensinou: “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”.13
Quando o Salvador procurou um homem de fé, Ele não o selecionou dentre a multidão de hipócritas que eram encontrados regularmente na sinagoga. Ao contrário, Ele o chamou dentre os pescadores de Cafarnaum. Enquanto ensinava junto ao lago, viu dois barcos parados à sua margem. Ele entrou em um deles e pediu que o proprietário o afastasse um pouco da terra para não ser apertado pela multidão. Quando acabou de falar, Ele disse a Simão: “Lançai vossas redes para pescar”.
Simão respondeu: “Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede.
E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes (…).
E vendo isto Simão Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador.”14
Ao que lhe foi respondido: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens”.15
Simão, o pescador, recebeu seu chamado. O indeciso, inculto, incrédulo e impulsivo Simão, não encontrou, na maneira do Senhor, uma estrada tranqüila nem um caminho livre da dor. Ele ouviria a repreensão: “Homem de pouca fé”.16Ainda assim, quando o Mestre perguntou-lhe: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.17
Simão, o homem indeciso, tornou-se Pedro, o Apóstolo de fé. Pedro fizera sua escolha.
Quando o Salvador precisava escolher um missionário dedicado e com autoridade, Ele o encontrou não entre Seus defensores, mas em meio a Seus adversários. A experiência da estrada de Damasco mudou Saulo. A seu respeito o Senhor declarou: “Este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome adiante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel”.18
Saulo, o perseguidor, tornou-se Paulo, o prosélito. Paulo fizera sua escolha.
Atos de serviço altruísta são realizados diariamente por inúmeros membros da Igreja. Há muitos que são realizados liberalmente, sem propaganda ou ostentação, mas com um amor sereno e terno cuidado. Deixem-me compartilhar com vocês o exemplo de alguém que fez essa simples, embora profunda, escolha de servir.
Há alguns anos, a irmã Monson e eu estávamos na cidade de Toronto, onde já havíamos morado quando eu era presidente de missão. Olive Davies, a esposa do primeiro presidente de estaca de Toronto, estava gravemente enferma e faleceria em breve. Sua doença fez com que ela tivesse que sair de sua casa tão querida, e ser internada em um hospital que lhe daria os cuidados de que precisava. Sua filha única vivia com a própria família no oeste canadense.
Tentei consolar a irmã Davies, mas ela já tinha a seu lado o consolo que ansiava ter. Um neto valoroso estava sentado à cabeceira da avó. Fiquei sabendo que ele passara a maior parte do verão fora da universidade, para poder cuidar das necessidades da avó. Eu disse a ele: “Shawn, você nunca se arrependerá de sua decisão. Sua avó sente que você é uma dádiva divina, uma resposta às suas orações”.
Ele replicou: “Resolvi vir porque eu a amo e sei que isso é o que meu Pai Celestial quer que eu faça”.
Tínhamos lágrimas nos olhos. A avó contou-nos o quanto gostava que o neto a ajudasse e que o apresentava a cada funcionário e a cada paciente do hospital. De mãos dadas, eles caminhavam pelos corredores e à noite ele ficava ao lado dela.
Olive Davies partiu para receber sua recompensa, para reunir-se ao marido fiel e para juntos, prosseguirem em uma jornada eterna. No coração do neto ficarão para sempre gravadas estas palavras: “Faze o bem, escolhendo o que é certo, quando apresentar-se a ocasião”.19 O Espírito Santo estará perto para inspirá-lo em sua decisão.
Essas são as pedras do alicerce na construção de um templo pessoal. Como aconselhou o Apóstolo Paulo: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”20
Gostaria de deixar com vocês uma fórmula simples, porém de grande projeção para guiá-los através das escolhas da vida:
Preencham sua mente com a verdade.
Preencham seu coração com amor.
Preencham sua vida com serviço;
Ao fazê-lo, que possamos um dia ouvir a calorosa aprovação de nosso Senhor e Salvador: “Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”.21
Em nome de Jesus Cristo. Amém.

NOTAS

1. Josué 24:15.
2. Brian H. Stuy, Collected Discourses Delivered by President Wilford Woodruff, His Two Counselors, the Twelve Apostles, and Others, 5 vols. (1987–1992), vol. 1, p. 341.
3. Brigham Young, Discourses of Brigham Young, sel. John A. Widtsoe, 1954, p. 54.
4. 2 Néfi 10:23.
5. Joseph L. Towsend, 1849–1942, Hinos, no 148.
6. Adaptado de Lewis Carroll, Alice’s Adventures in Wonderland (As Aventuras de Alice no País das Maravilhas), 1992, p. 76.
7. I Timóteo 4:14; 6:20.
8. Eclesiastes 12:13.
9. Eclesiastes 1:2.
10. João 17:3.
11. Éter 12:41.
12. Conference Report, abril de 1967, pp. 84–85; ou Improvement Era, junho de 1967, p. 80.
13. Mateus 25:40.
14. Lucas 5:4–6, 8.
15. Mateus 4:19.
16. Mateus 14:31.
17. Mateus 16:15, 16.
18. Atos 9:15.
19. Hinos, nº 148.
20. I Coríntios 3:16.
21. Mateus 25:23.

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