19 de dezembro de 2011

O Espírito do Natal - Presidente Thomas S. Monson

Penny Parke
Meus queridos irmãos e irmãs, sinto-me imensamente grato por estar com vocês nesta noite. Como vocês, senti-me inspirado e edificado pelas mensagens do Presidente Eyring e do Presidente Uchddorf e também pela esplêndida música do Coro e da Orquestra.


Encontramos a verdade numa expressão que cantamos em um de nossos hinos: “Veloz nos foge o tempo.”1 Outro ano já se passou, trazendo de volta a época do Natal.

Tenho recentemente recordado Natais passados e percebi que provavelmente nenhuma outra época do ano nos traz recordações tão comoventes. Os Natais mais memoráveis em geral têm pouco a ver com bens materiais, mas muito a ver com famílias, com amor, compaixão e carinho. Pensar assim dá esperança àqueles entre nós que temem que o singular significado desse dia se dilua no consumismo ou no antagonismo das diferentes crenças, ou então na agitação das festas que podem levar-nos a perder aquele espírito especial que deveríamos desfrutar.

Para muitos, os excessos são comuns nesta época do ano. Simplesmente queremos fazer mais do que nossas forças permitem. Talvez não tenhamos dinheiro suficiente para gastar com o que achamos serem necessidades. Muitas vezes, nossos esforços natalinos resultam em estresse, pressão e desgaste em uma época que deveríamos desfrutar das alegrias simples da celebração do nascimento do Menino em Belém.

Em geral, entretanto, o espírito especial dessa ocasião acaba encontrando eco em nosso coração e na nossa vida, apesar das dificuldades e distrações que podem ocupar nosso tempo e energia.

Há muitos anos, li sobre um acontecimento natalino que envolveu milhares de viajantes exaustos que estavam retidos no congestionado aeroporto de Atlanta, Geórgia. Uma tempestade de neve tinha causado grandes atrasos nos voos enquanto aquelas pessoas tentavam chegar a algum lugar para o Natal — provavelmente em casa.

Aconteceu em dezembro de 1970. Ao soar a meia-noite, passageiros frustrados aglomeravam-se em frente aos balcões e ansiosamente questionavam os atendentes cuja paciência, àquela altura, já evaporara. Também eles gostariam de já estar em casa. Algumas pessoas conseguiram cochilar em cadeiras desconfortáveis. Outros foram para as bancas de jornais e ficaram folheando as publicações.

Se algo em comum unia toda aquela multidão diversa, era a solidão — uma solidão envolvente, opressiva e sufocante. Porém, a civilidade exigia que cada um mantivesse uma barreira invisível que o separava dos demais. A solidão era melhor do que ficar ouvindo às inevitáveis reclamações de abatimento e desânimo dos outros.

Na realidade, havia mais passageiros do que lugares disponíveis nos voos. Sempre que um avião conseguia decolar, havia mais passageiros deixados para trás do que os que embarcavam. As palavras “Em lista de espera”, “Reserva confirmada” e “Primeira Classe” estabeleciam prioridades e evidenciavam dinheiro, poder, influência, previdência — ou a ausência dessas coisas.

O portão 67 era um microcosmo daquele tristonho aeroporto. Pouco maior que um cubículo envidraçado, a sala de embarque estava apinhada de passageiros que tentavam voar para Nova Orleans, Dallas e outras cidades do oeste. Havia pouca conversa no Portão 67, exceto entre pessoas que viajavam acompanhadas. Um viajante olhava distraidamente para cima, resignado. Uma jovem mãe aconchegava o bebê nos braços, balançando-o levemente em um esforço vão de acalmá-lo.

E havia um cavalheiro, muito bem vestido, que parecia insensível ao sofrimento coletivo. Sua atitude era de indiferença, absorto em sua papelada — talvez calculando os lucros da firma no final do ano. Um passageiro mais agitado poderia compará-lo a Ebenezer Scrooge, o sovina personagem de “Um Conto de Natal”, de Charles Dickens.

De repente, o silêncio relativo foi quebrado por um tumulto. Um rapaz de uns 19 anos, em uniforme militar, conversava agitadamente com o funcionário da empresa aérea. Ele tinha um bilhete de classe econômica e insistia com o funcionário para embarcar para Nova Orleans a fim de tomar um ônibus até o desconhecido vilarejo a que ele chamava de lar.

O funcionário, aborrecido, explicou-lhe que as possibilidades seriam mínimas nas 24 horas seguintes, talvez mais. O rapaz ficava cada vez mais agitado. Logo após o Natal, ele seria enviado para o Vietnam, onde a guerra estava violenta, e se não fosse para casa agora, talvez nunca mais passasse um Natal lá. Até o cavalheiro indiferente tirou os olhos de sua papelada e demonstrou um interesse reservado na conversa. O funcionário estava visivelmente comovido, até mesmo constrangido. Mas tudo o que ele podia oferecer era compreensão — não esperança. O jovem ficou em pé em frente ao balcão, olhando ansiosamente para a multidão como se procurasse ao menos uma expressão de simpatia.

Finalmente, o funcionário anunciou que o embarque teria início. Os passageiros, que esperavam havia várias horas, ergueram-se, reuniram seus pertences e desceram rapidamente pelo estreito corredor até o avião: vinte, trinta, cem passageiros — o avião estava lotado. O funcionário olhou para o ansioso jovem e demonstrou que nada podia fazer.

Inexplicavelmente, o cavalheiro elegante ainda não embarcara. Então ele se dirigiu ao balcão e disse discretamente ao funcionário: “Meu bilhete está confirmado”. “Gostaria de dá-lo a esse jovem.” O funcionário encarou-o, mal acreditando no que ouvia, enquanto ele indicava o soldado. Sem encontrar palavras, com lágrimas escorrendo pelo rosto, o jovem soldado apertou a mão do cavalheiro que murmurou apenas: “Boa sorte. Feliz Natal. Boa sorte”.

A porta do avião se fechou, os motores aumentaram a rotação para partir, o cavalheiro virou-se, pegou a pasta e caminhou lentamente em direção ao restaurante 24 horas.

Pouquíssimas pessoas entre as milhares que se achavam ilhadas no aeroporto de Atlanta testemunharam o drama vivenciado no Portão 67. Mas para os que o presenciaram, o mau humor, a frustração e a hostilidade dissolveram-se em novo alento. Aquele ato de amor e bondade entre estranhos tinha trazido o espírito de Natal ao coração de todos.

As luzes do avião que partia piscaram, como estrelas na noite, enquanto a aeronave mergulhava na escuridão do céu. O bebê agora dormia calmamente no colo da jovem mãe. Talvez outro voo pudesse partir em algumas horas. Porém, quem testemunhou o ocorrido ficou menos impaciente. Esse novo espírito, suave e em profusão, permeou o pequeno estábulo envidraçado do Portão 67.2

Meus irmãos e irmãs, a verdadeira alegria do Natal não provém da agitação e da pressa de fazer mais coisas ou de comprar os presentes esperados. A verdadeira alegria vem ao mostrarmos o amor e a compaixão inspirados pelo Salvador do Mundo, que disse: “Quando fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”.3

Nesta alegre ocasião, que as desavenças pessoais sejam esquecidas e as animosidades curadas. Possa o júbilo do Natal conter a atenção ao necessitado e ao aflito. Que o nosso perdão alcance os que nos ofenderam, assim como esperamos também o perdão. Que a bondade seja abundante em nosso coração e que o amor prevaleça em nosso lar.

Ao planejarmos os gastos com os presentes de Natal, planejemos também como usar nosso tempo para trazer o verdadeiro espírito de Natal à vida do próximo.

O Senhor presenteou sobejamente a todos, e Seus dons são de valor inestimável. Em seu ministério, Ele abençoou o doente, restaurou a visão ao cego, curou o surdo e fez andar o coxo e o manco. Ele tornou limpo o que era impuro. Restaurou ao morto o fôlego da vida. Deu esperança ao debilitado e levou luz aonde havia escuridão.

Deu-nos Seu amor, Seu serviço e Sua vida.

Qual é o espírito que nos permeia no Natal? É o Seu espírito — o espírito de Cristo.

O dom glorioso, divinal, nenhum ruído faz!
Porém a este mundo vil, amor e esperança traz.
Sereno e sem arautos, sem toques de clarim,
Traz ele ao mundo redenção, amor e paz sem fim!4

Com o puro amor de Cristo, caminhemos em Suas pegadas nesta época em que celebramos Seu nascimento. Ao fazer isso, lembremo-nos de que Ele ainda vive e continua a ser a “luz do mundo”, e que prometeu: “Quem me segue, não andará em trevas, mas terá a luz da vida”.5

A cada um de vocês, meus irmãos e irmãs, estendo meu amor e minha bênção. Tenham um Feliz Natal. Que haja amor, bondade e paz em seu coração e em seu lar. Que até aqueles corações que estão pesarosos se ergam pela cura que vem somente Daquele que consola e infunde segurança.

Com o espírito de Cristo em nossa vida, teremos boa vontade e amor pela humanidade, não somente nesta época, mas durante todo o ano.

Oro para que sejam essas as nossas experiências e nossas bênçãos, em nome de Jesus Cristo, nosso Salvador e Redentor. Amém.

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